Operação busca traficantes que cobravam 'pedágio' de candidatos em Magé

Políticos eram obrigados a pagar R$ 2 mil a R$ 5 mil para fazer campanha nas comunidades dominadas pela quadrilha

Por O Dia

Rio - Uma operação conjunta da Polícia Militar e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Rio (MPRJ) busca a prisão de 14 pessoas acusadas de tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa em Magé, na Região Metropolitana do Rio, nesta quarta-feira.

A operação "Pinóquio" tenta desmantelar a quadrilha que domina as favelas Maringá, Saco, Lagoa e Fonte. De acordo com o MP, David dos Santos Pereira, o "DVD", é o chefe do tráfico local. Já Wellington Gomes da Silva, o "Nego" ou "Niel", é o gerente geral, responsável pela contabilidade e logística do transporte das drogas que saem de favelas do Rio e da Baixada Fluminense, como o Complexo da Penha e da comunidade Nova Holanda, na Zona Norte e a comunidade do Dick, em Duque de Caxias. 

Além dos 14 mandados de prisão, os agentes também cumprem 18 mandados de busca e apreensão, deferidos pela Vara Criminal de Magé.

Oferecimento de propina a PMs 

De acordo com a denúncia do MP, em abril deste ano, um casal procurou pessoalmente os policiais militares de Magé com o suposto intuito de fornecer informações sobre o tráfico de drogas no local. Entretanto, a real intenção era oferecer propina aos PMs, de forma que o tráfico não fosse reprimido no local. Um dos suspeitos de oferecer o "acordo" é um traficante conhecido como "TH".

Após a oferta, os policiais procuraram o Ministério Público e, mediante autorização judicial, atuaram dentro da quadrilha como "infiltrados", recebendo a propina semanal paga pelos traficantes a fim de identificar cada membro da quadrilha. Os valores variavam de R$ 1.500 a R$ 15 mil, de acordo com as vendas de drogas de cada comunidade. 

"Pedágio" aos candidatos chegava a R$ 5 mil

O MP descobriu também que o domínio das favelas permitiu ao tráfico local negociar com políticos da região um espécie “pedágio” nas eleições. Candidatos deveriam pagar de R$ 2 mil a R$ 5 mil para realizarem passeatas e comícios na comunidade da Lagoa, com autorização do tráfico.

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