Corpo carbonizado pode ser de diplomata

Kyriakos Amiridis, embaixador da Grécia, saiu da casa em que estava, em Nova Iguaçu, e não deu mais notícias

Por O Dia

Rio - No fim da tarde de ontem, policiais militares encontraram sob um viaduto no Arco Metropolitano, em um dos acessos a Nova Iguaçu, um carro incendiado e dentro dele uma vítima carbonizada. O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu e a suspeita é de que seja do embaixador da Grécia no Brasil, Kyriakos Amiridis, de 59 anos. A placa do Ford Ka é a mesma do carro alugado pelo diplomata para circular pela cidade da Baixada Fluminense. A informação foi dada com exclusividade pela editora Joana Costa na edição impressa do jornal O DIA? desta sexta-feira.

Carro carbonizado foi encontrado próximo ao Arco Metropolitano na noite desta quinta-feiraReprodução TV Globo

Policiais da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investigam, desde anteontem, o desaparecimento de Amiridis. O corpo encontrado será submetido a perícia para identificação, através de exames de DNA e da arcada dentária.

O DIA obteve a informação de que uma das linhas de investigação da Polícia Civil apontaria para um policial militar, que prestou depoimento na delegacia, na noite de ontem.

Kyriakos Amaridis, que mora em Brasília, mantém uma residência em Nova Iguaçu para ficar próximo dos parentes de sua mulher, a brasileira Françoise Amiridis, com quem tem uma filha de 10 anos. 

De acordo com o delegado Evaristo Pontes, da DHBF, Françoise contou em depoimento que Kyriakos Amiridis deixou a casa da família na noite de segunda-fera, sozinho, dirigindo o Ford Ka, e até ontem não havia informado onde estava e tampouco atendia às ligações telefônicas para o seu celular.

A mulher do embaixador procurou, primeiramente, a Polícia Federal, na tarde de quarta-feira. Como o caso não tinha relação com nenhuma atividade diplomática de Amiridis, que estava de férias, o caso foi encaminhado ao setor de Descoberta de Paradeiros da DHBF.

O delegado Evaristo Pontes descartou a possibilidade de sequestro, uma vez que a família não foi procurada para pagar resgate do embaixador.
Os policiais passaram o dia recolhendo imagens de câmeras de segurança e buscando informações de consumo em cartões de crédito e dados de uso de celular e acesso a contas bancárias.

Carreira

Kyriakos Amiridis começou sua carreira diplomática em 1985, tendo passado por países como Sérvia, Bélgica e Holanda e Líbia. Foi cônsul-geral da Grécia no Rio de Janeiro entre 2001 e 2004 e, em janeiro deste ano, assumiu o posto de embaixador-geral da Grécia no Brasil. O Ministério das Relações Exteriores informou que não comentará o assunto. 

Dois dias para procurar a polícia

Segundo informações da Polícia Civil, Kyriakos Amaridis avisou à mulher na segunda-feira à noite, por telefone, que iria sair de carro. Ela estava num shopping, em Nova Iguaçu.

Como o marido tinha por costume se ausentar por longos períodos de casa, Françoise teria esperado dois dias antes de procurar a polícia. Ela disse aos policiais acreditar que o marido teria sido sequestrado.

A embaixada da Grécia foi avisada do desaparecimento e acompanha o caso. O casal participou, em outubro, da 12ª Feira Internacional das Embaixadas, em Brasília.

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