Prefeito Marcelo Crivella toma posse na Câmara Municipal

Novo prefeito faz discurso afirmando que governará 'com imenso senso de responsabilidade, prudência, fé e sem medo'. Ele se empenhará na luta contra as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti

Por O Dia

Rio - Eleito prefeito do Rio de Janeiro com 1.700.030 votos, Marcelo Crivella (PRB) tomou posse neste domingo, dia 1º de janeiro, na Câmara Municipal, no Centro. O agora ex-senador iniciou o discurso saudando os vereadores, que também tomaram posse minutos antes, como "notáveis homens públicos conduzidos à Câmara pela soberania do povo".

Crivella agradece os apoios ao ser empossado na Câmara de VereadoresAlexandre Brum / Agência O Dia

Em pouco mais de meia hora no palanque, Crivella agradeceu a Deus, dizendo que a sua eleição não é "mérito pessoal", e sim, "uma graça". Também lembrou do apoio da família e reconheceu que, pela primeira vez, pode "se aproximar da Igreja Católica", citando nominalmente Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio. 

Ele citou algumas das medidas previstas nos 78 decretos publicados em edição extra do Diário Oficial do município, que tratam de temas como saúde, transporte e transparência administrativa. Questionado sobre qual é o mais importante dos 78 decretos, Crivella citou aquele que trata da "preparação para o combate às doenças do verão, sobretudo chikungunya, dengue e zika", todas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

A maioria dos decretos trata de planos a serem desenvolvidos, como a criação de um esquema de segurança especial para o desfile dos blocos de rua durante o carnaval. Mas outros impõem medidas de execução imediata, como o corte de 50% dos gastos com cargos comissionados e a suspensão da cobrança de pedágio para motos na Linha Amarela, via expressa que liga as zonas norte e oeste do Rio. Cada motociclista pagava R$ 2,40 para trafegar pela via. A Lamsa, concessionária que administra a Linha Amarela, anunciou que desde o meio-dia deste domingo não cobra mais pedágio de motos, atendendo ao decreto de Crivella.

O prefeito agradeceu aos políticos do seu partido, o PRB, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Também ao PTN, partido que, ao lado do PR, fez coligação com o PRB: "Marchou ao lado desde o primeiro momento", afirmou, citando o deputado federal Luiz Carlos Ramos, que será secretário de Relações Institucionais. O partido de Garotinho, que indicou o vice, Fernando MacDowell, entretanto, não foi citado.

Também agradeceu a mensagem "efusiva e de grande entusiasmo" enviada por Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, que segundo Crivella, é um "líder da nossa cidade que nos engradece e facilita a vida em Brasília".

Além de Maia, também lembrou dos que o apoiaram no segundo turno como Osório (PSDB), Índio da Costa (PSD) e de veradores e lideranças do PMDB, como Rosa Fernandes.

Crivella ainda reconheceu a importância do voto do "irmãos evangélicos" e agradeceu ao "povo das igrejas Universal, Batista, Metodista e da Assembleia de Deus".

O prefeito eleito Marcelo Crivella e seu vice%2C Fernando MacDowell%2C são empossados na Câmara de VereadoresAlexandre Brum / Agência O Dia

Ao ex-prefeito, César Maia, eleito vereador, afirmou que terá "imenso senso de responsabilidade, prudência, fé e sem medo" e que assume a prefeitura para a "nobre missão de cuidar das pessoas", remetendo ao lema de campanha.

Crivella também conclamou a sociedade e a Câmara dos Veradores para governar ao lado dele e mostrou que a prioridade de seu governo será a saúde, como ampliar a rede de saúde de família, acabando com gargalo dos exames de laboratório. Também falou de Educação e de Turismo e afirmou que "não foi candidato das promessas e não será o governo das ilusões".

Antes de Crivella e de seu vice, Fernando Mac Dowell, foi a vez dos 51 vereadores eleitos tomarem posse. Em seguida foi realizada a eleição da Mesa Diretora da Casa. Jorge Felippe (PMDB) foi reeleito presidente, tendo como primeira vice-presidente Tânia Bastos (PRB), e segundo vice Zico (PTB). Carlo Caiado (DEM) tornou-se o primeiro secretário e Cláudio Castro (PSC) é o segundo secretário. Jorge Felippe afirmou que seu partido ainda não decidiu se vai apoiar Crivella. "Como presidente, sou imparcial. A bancada apoiou Crivella na campanha (do segundo turno, depois que o candidato do PMDB, Pedro Paulo, saiu da disputa). No governo a gente ainda não definiu", afirmou.

Na transmissão do cargo, Crivella homenageia Paes

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes deixou o Palácio da Cidade ao som do Samba do Avião, numa homenagem do prefeito Marcelo Crivella ao seu antecessor. Crivella fez questão de acompanhar Paes até o seu carro.

Paes lembrou que esta foi a primeira transmissão de cargo na prefeitura do Rio em 20 anos, quando Cesar Maia deixou a prefeitura e assumiu seu então aliado Luiz Paulo Conde. Paes se despediu, dizendo invejar Crivella, ainda que o sentimento seja "pouco cristão". O prefeito devolveu a gentileza ao afirmar que a gestão Paes está "escrita com letra de ouro de forma indelével na gratidão do povo do Rio de Janeiro". 

Eduardo Paes cumprimenta CrivellaErnesto Carriço / Agência O Dia


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