Por gabriela.mattos
Regina se mudou há apenas três dias para o local e ficou desolada%3A ‘Perdi o pouquinho que eu tinha’Estefan Radovicz / Agência O Dia

Rio - O dia seguinte ao rompimento da adutora da Cedae na Estrada do Lameirão, em Santíssimo, foi de limpeza e de contagem de prejuízos. A ruptura da tubulação quarta-feira provocou a formação de um ‘tsunami’ de mais de 20 metros de altura, que alagou dezenas de casas. A Cedae constatou danos a móveis e eletrodomésticos em 30 imóveis e sete veículos. O Procon estadual pediu esclarecimentos à companhia, que tem 15 dias para responder e que pode ser autuada.

Alguns moradores passaram a noite na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no bairro. O enfermeiro Douglas Vinícius Peixoto, de 32 anos, se abrigou junto com a mãe e o padrasto. “Fomos acolhidos na igreja, mas não consegui dormir, porque estava preocupado com a minha casa”. O enfermeiro disse que, só hoje, a Cedae disponibilizou um hotel em Campo Grande para que as famílias se instalassem. “Eles nos comunicaram para irmos para este hotel. Na minha casa não tem como ficar. Perdi tudo. A vistoria veio aqui e falou que a minha casa teve perda total.”

Segundo a companhia, na primeira noite após o acidente, só duas famílias foram realocadas no hotel. Ontem, ao verificar que havia outras casas com perda total, a oferta foi estendida a outros moradores.

A dona de casa Regina Fontes da Silveira, de 59 anos, tinha se mudado havia apenas três dias para o endereço. “Me mudei nesta semana para cá e aconteceu isso. Perdi o pouquinho que eu tinha”. Regina contou que a Cedae esteve na casa dela e auxiliou na limpeza. “Eles vieram aqui e ajudaram a limpar e falaram que vão me dar tudo de volta.” Vizinho da dona de casa, o aposentado Miguel Alves, de 68 anos, também disse que representantes da companhia estiveram em sua casa e afirmaram que vão ressarcir o prejuízo.

Ressarcimento só no fim do mês

A respeito do estouro da tubulação, a Cedae informou que os técnicos estavam ontem realizando o reparo no fechamento da adutora. Além disso, a companhia afirmou que prioriza procedimentos para ressarcir os moradores afetados, por meio de levantamento dos itens perdidos, que serão listados e fotografados pela equipe de Segurança Patrimonial. Segundo a empresa, uma ficha cadastral será elaborada, em que os itens listados deverão ser aprovados pelo morador. Com a ficha, o morador deverá reunir dois orçamentos e procurar a Cedae para abrir um Registro de Documentos (RD).

O ressarcimento será feito no prazo de 15 a 20 dias após a entrada do documento, informou a companhia. A Cedae ofereceu carros-pipa para abastecer os moradores.

?Reportagem da estagiária Marina Cardoso

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