Por gabriela.mattos
Rio - O novo prefeito de Volta Redonda, no Sul Fluminense, Samuca Silva (PV), divulgou agora há pouco, nota em que garante que herdou a prefeitura de seu antecessor, Antônio Francisco Neto (PMDB), com um rombo de R$ 805 milhões, incluindo números da administração direta e indireta. Deste total, apenas R$ 25 milhões foram negociados e parcelados. De acordo com Samuca, a administração anterior teria deixado apenas R$ 21 milhões em caixa. Neto, por sua vez, nega que tenha deixado dívidas.
“O valor pode aumentar porque, neste cálculo, não estão incluídos os processos judiciais. O levantamento é parcial e pode aumentar ainda mais. Repito: temos uma dívida de R$ 805 milhões e recebemos em caixa apenas R$ 21 milhões”, ressaltou Samuca Silva.
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Para “ganhar fôlego financeiro”, a prefeitura decretou estado de calamidade pública, no âmbito da administração financeira por um período de 120 dias. Mas, Samuca garantiu que a intenção não é deixar de pagar nenhum fornecedor. “Temos uma dívida equivalente ao valor de uma receita anual. Queremos um período para avaliar a situação financeira da cidade”, afirmou o chefe do Executivo, garantindo que não pretende aumentar impostos.
Medidas
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Diante da grave situação financeira Samuca Silva anunciou 14 medidas, através de decreto, para enfrentar a crise. São elas: todos os pagamentos precisarão de pareceres da Procuradoria e da Controladoria do município; os cargos comissionados e contratados serão levantados e substituídos; paulatinamente os bens imóveis da prefeitura serão recadastrados; será criado um comitê para manter diálogo permanente com o Sindicato do Funcionalismo Público; todas as contratações feitas sem licitação serão revistas; o uso do pregão eletrônico será estimulado em todas as contratações e os operadores de cartões de crédito e débito serão obrigados a apresentar relatórios sobre as vendas registradas no município, para evitar sonegação.
Além disso, todas as secretarias municipais serão obrigadas a reduzir gastos com telefonia e energia. Um grupo de trabalho vai modernizar a Administração Tributária Municipal e um outro vai buscar o reequilíbrio do VR Previdência. E mais: todos os servidores públicos municipais serão recadastrados; todas as despesas assinadas pelo prefeito anterior terão a eficácia suspensa e todas as determinações do TCE serão cumpridas. Em documento intitulado “A Cidade que Herdamos”, a nova administração reuniu 2,5 mil fotos atuais da cidade, registrando a má conservação de praças, buracos em ruas, e a falta de coleta de lixo em diversos pontos.
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?O outro lado
Em pronunciamento à imprensa e nas redes sociais, o ex-prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB) disse que Samuca “está equivocado, e que não é verdade o que a atual administração vem propagando”. Segundo ele, os dados apresentados pelo prefeito atual misturam dívidas negociadas a longo prazo com empenhos destinados a serviços continuados. “A dívida não é essa de jeito nenhum. Não deixei R$ 800 milhões para ele pagar”, garante Neto.