Por clarissa.sardenberg

Rio - Como se não bastassem as longas viagens — muitas vezes com os vagões lotados —, os passageiros dos trens da SuperVia ainda precisam arcar com as consequências de infrações cometidas pelos próprios usuários. Em menos de uma semana, entre 29 de dezembro de 2016 e 3 de janeiro deste ano, nove composições foram pichadas e tiveram de ser retiradas de circulação para serem limpas — o que demora, em média, seis horas por vagão, segundo a empresa.

Na última semana do ano passado, a concessionária informou que também registrou outros atos de vandalismo ao longo dos 270 quilômetros de linha férrea. Em São Cristóvão, por exemplo, quatro refletores de luz foram furtados. Sendo que, na mesma estação, ladrões já haviam levado um poste de iluminação LED e três luminárias em setembro do ano passado.

Nas últimas duas semanas%2C os cerca de 50 atos de vandalismo identificados pela empresa foram dos mais variados tipos%2C entre eles pichaçõesDivulgação

De acordo com a SuperVia, nas últimas duas semanas, os cerca de 50 atos de vandalismo identificados foram dos mais variados tipos. Teve objeto atirado contra os trens; remoção de mapas de ramais e estações que ficam sobre as portas, instalações operacionais arrombadas em Bento Ribeiro, Vigário Geral e Anchieta, arremesso de objetos em cabos da rede aérea, parafusos e pedras colocados nos trilhos para prejudicar o sistema de sinalização, e até furto de porta no ramal Vila Inhomirim.

“O prejuízo financeiro causado por essas atitudes contra o sistema ferroviário é considerável. Mas os danos sofridos pelos passageiros são muito maiores e é o que mais nos preocupa”, afirma o presidente da SuperVia, José Carlos Prober.
Segundo a concessionária, as ações “danificam o patrimônio público e prejudicam o investimento de R$3,3 bilhões que a concessionária fez desde 2011 em todo o sistema ferroviário, juntamente com o estado.”

No entanto, quem paga a conta é o passageiro. Tanto no funcionamento como no preço, segundo o professor de Engenharia de Transportes da Uerj Alexandre Rojas.
“O vandalismo é um dos fatores importantes no custo da passagem”, diz. “Isso impacta na qualidade e no preço. Alguém tem que pagar a conta, e não vão ser os empresários.”
Para Rojas, contudo, o problema vai além: é caso de polícia. “Quem tem que resolver é a polícia, com ação enérgica e firme. Há muitos anos isso é discutido e nada acontece”, aponta.

Outra infração que costuma atrapalhar a vida de quem se desloca por meio dos trens é o furto de cabos. No ano passado, de janeiro até o dia 25 de agosto, 355 casos haviam sido registrados pela empresa. Média de mais de um roubo por dia.

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