Agentes penitenciários são prisioneiros da violência

Funcionários de cadeia em Japeri afirmam que bandidos do Comando Vermelho ameaçam e assaltam inspetores na saída. Dois tiveram carros e pertences roubados

Por gabriela.mattos

Vídeo de presos mostrando problemas nas celas em Bangu preocupouReprodução

Rio - Agentes penitenciários lotados nas unidades prisionais de Japeri, na Baixada Fluminense, se tornaram prisioneiros do medo. Segundo o Sindicato dos Servidores do Sistema Penal (SSPP), bandidos da facção Comando Vermelho (CV) ameaçam e roubam os inspetores na saída do presídio. Dois tiveram os carros e pertences levados pelo bando. Um caso aconteceu na quarta-feira passada e outro, no sábado. Os dois foram registrados como roubo na delegacia responsável pelo município.

Por conta do problema, os inspetores alteraram a rotina. Agora, deixam o local em comboio, em carona compartilhada. Mesmo assim, no domingo, os agentes deixavam os presídios da região (Milton Moreira Dias, Cotrim Neto e João Carlos da Silva) em sete carros, quando foram perseguidos pelos traficantes armados com fuzis e pistolas.

“A situação está insustentável. Os bandidos estão tomando cada dia mais espaço e chegando mais perto dos presídios. Daqui a pouco, eles vão invadir o paiol de armamentos e pode acontecer uma tragédia maior”, frisou o presidente do SSSP, Gutembergue de Oliveira. Na segunda-feira, ele marcou uma reunião com os servidores das unidades de Japeri e decidiram que só voltariam a trabalhar com reforço na segurança.

No mesmo dia, PMs do 24º BPM (Queimados) fizeram rondas no local. Ontem, uma guarnição ficou baseada próximo aos presídios para aumentar a sensação de segurança. “Vamos entrar com medidas legais para tentar parar aqueles presídios. Até as visitas serão proibidas”, disse.

O prefeito de Japeri Carlos Moraes (PP) sentiu na pele o drama vivido pelos agentes penitenciários. No dia 2, durante visita na Cadeia Pública Cotrim Neto, no município, ele teve uma pistola apontada para dentro do carro onde estava. “Não me abordaram, mas apontaram a arma. Foi uma sensação horrível”, lembrou o prefeito, que vai pedir auxílio ao comando da Polícia Militar e ao governo do estado. “O 24º BPM (batalhão da área) tem 215 homens para cinco municípios. Já na Alerj há quase 500 policiais, segundo me disseram. A polícia faz o que pode para combater o tráfico, mas Japeri precisa de atenção maior do governo estadual”.

A Secretaria estadual de Administração Penitenciária informou que solicitou ao comandante-geral da PM, coronel Wolney Dias, que o problema seja solucionado. Já a corporação destacou que o comandante do 24º BPM, tenente-coronel André Santos de Souza, se reuniu com os diretores da Cotrim Neto e decidiu criar um patrulhamento motorizado para atuar na região, assim como garantir a segurança dos moradores.

Falta d'água

Motivo de preocupação diante da ameaça de uma rebelião de presos, a falta d’água no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, começa a se normalizar. A solução foi constatada pelo defensor público Marlon Barcellos, coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário, que realizou uma inspeção no local na segunda. Acompanhado por um representante da Cedae, ele inspecionou os registros dos diversos presídios que compõem o complexo e constatou que a água começou a chegar aos pavilhões. Presos fizeram vídeo para mostrar as más condições das celas.

O desabastecimento foi causado por problemas ocorridos nos dias 27 de dezembro e 3 de janeiro nos sistemas hídricos de Barra do Piraí e Guandu. O defensor afirmou que os presídios não ficaram sem água. “A água sempre foi racionada no complexo, mas como o nível baixou, o registro passou a ser liberado menos que as ordinárias três ou quatro vezes por dia, por apenas 10 ou 15 minutos”, explicou.

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