Por gabriela.mattos
Gyleno%2C 79 anos%2C que posa com professora de dança%2C já ensaiou passos de samba%2C fox e valsa com o prefeito Marcelo CrivellaSandro Vox / Agência O Dia

Rio - Baluarte da Prefeitura do Rio, o copeiro Gyleno dos Santos está na casa há 35 anos e serve a todos os prefeitos desde Jamil Haddad. Aos 79 anos, além de ter histórias curiosas sobre os nomes que já passaram pelo gabinete principal do Palácio da Cidade, Gyleno também é conhecido por ser um excelente pé de valsa. Professor de dança de salão no Clube dos Servidores Municipais, ele já até ensaiou passos de samba, fox e valsa com Marcelo Crivella e classificou o novo prefeito: “Ele até que tem jeito”.

Gyleno chegou à prefeitura antes mesmo das eleições diretas serem conquistadas pelo povo. Desde Jamil Haddad, em 1983, já passaram diante de sua bandeja, figuras como Saturnino Braga, Marcello Alencar, Cesar Maia, Luiz Paulo Conde, Eduardo Paes. “Se tornaram meus amigos. Visito todos eles até hoje. Menos os que já morreram, esses eu deixo descansar”, brinca.

Ele se orgulha de já ter servido pessoas ilustres como a princesa Diana e o príncipe Charles, da Inglaterra, durante visita ao Brasil. E revela que tem guardado em casa um guardanapo com a marquinha de batom da princesa Diana.

O que não falta é história para ele contar. Revela que vai lançar um livro, mas já adianta que são apenas memórias. “Nada de fofoca! Já tenho até o nome, vai ser ‘Segredos da Bandeja’”.

Gyleno diz que foi um grande companheiro do ex-prefeito Saturnino Braga, com quem se reencontrou recentemente na comemoração dos 450 anos do Rio. “É sempre uma honra e uma emoção muito grande reencontrá-los. Saturnino passou por momentos difíceis em sua gestão. Ficamos três meses sem receber (salário) quase ninguém ia trabalhar, mas eu estava ali, todos os dias com ele. Ele falava, ‘só você mesmo’”, lembra.

Sobre Marcello Alencar, ele conta um episódio engraçado que marcou a equipe. “Ele (Alencar) tinha um procurador com o sobrenome era Laranja. Um dia chegou uma secretária nova no gabinete e ele falou: ‘Luciene liga lá pro Tangerina!’ Ela era nova e não encontrava por nada o tal nome na agenda. Desesperada, ela falou com uma colega, que matou a charada. Era o laranja. Ela riu muito, quase não acreditando! E encontrou. Acho que não esqueceu mais.”

Já com o Eduardo Paes, a relação vem de longa data, lembra Gyleno. “Eu conheço o Eduardo desde os seus 26 anos. Fiz a primeira reunião na Gávea Pequena que o lançou a candidato a vereador. Ele gostava de dançar também, como eu, visitou as aulas no Clube (dos Servidores), desfilou em escola de samba, ia em ensaio técnico das escolas. É muito animado”.

E por falar em Carnaval, nem durante a folia seu Gyleno para de trabalhar. Tijucano e salgueirense, ele não faz corpo mole quando chega a festa do Momo no Rio. Ha 25 anos ele é figura confirmada no camarote da prefeitura. “Já vi de tudo! Quer dizer, vi de tudo quanto é desfile de dentro do camarote”, conta sorridente. “Mas quando o Salgueiro passa eu dou uma escapulida e vou assistir de pertinho”, diz.

Preocupação mesmo, bate na sola do pé de seu Gyleno. Sem receber apoio da prefeitura desde os Jogos Olímpicos, ele não sabe se o projeto da dança de salão no Clube dos Servidores vai continuar durante essa gestão. “Criei esse projeto e vi crescer.

Ele é muito importante, salva vidas! As pessoas chegam aqui, muitas vezes com depressão profunda. Mas a dançar muda tudo, a cabeça muda, o astral muda”, atesta.
O prefeito Marcelo Crivella explica que o projeto e a estrutura do clube estão garantidos até o dia 31 de janeiro, prazo que vence a OS que gere o clube. Segundo sua assessoria, há expectativa de regularização para fevereiro, quando um novo contrato deve ser assinado.

Gyleno foi indicado, em 1982, por um amigo para a vaga recém-criada de copeiro. Ele servia em um buffet que prestava serviços à prefeitura. “Na época não existia nem garçom. Fui meio com medo, mas mesmo assim eu fui”, relembra. Desde então, ele define, “armei acampamento no palácio.”

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