Por clarissa.sardenberg

Rio - Pessoas que desapareceram já adultas em breve terão suas fisionomias envelhecidas e publicadas em cartazes. Esse é um desejo da delegada Elen Souto, titular da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) — especilizada que tem estado nos holofetes pela solução de casos que ganharam repercussão recentemente, como o sequestro seguido de morte da menina Thifany, de 11 anos, semana passada, em Acari.

“Fazemos o envelhecimento somente de crianças. Mas há muitos adultos com problemas mentais ou idosos que estão desaparecidos há anos. Com o tempo, alguns ficam desorientados pelas ruas. Barba e cabelos crescem, mudam”, diz Elen.

Delegada Elen Souto%2C à frente da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA)%2C teve participação fundamental em casos de repercussão nos últimos meses Estefan Radovicz / Agência O Dia

Pela primeira vez desde que os retratos das chamadas ‘crianças envelhecidas’começaram a ser confeccionados duas meninas foram localizadas. “Ainda estão sob investigação, mas são casos complicados, pois as desaparecidas estão com outro núcleo familiar e não sabem que estão sendo procuradas. As mães biológicas estão cientes disso”, afirma.

O apelo das mães dos desaparecidos foi justamente o que motivou a criação da DDPA em 2014. Antes, no Rio, a Delegacia de Homicídios (DH) era responsável por essas investigações e tinha a delegada Elen como responsável. Foi na DH que ela conduziu seu primeiro caso de repercussão: o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, na Rocinha. O corpo, até hoje, não foi encontrado. Seu inquérito levou à condenação 12 PMs.

Após a experiência, a delegada visitou outros quatro estados que tinham delegacias somente para desaparecidos. Delas, replicou as melhores experiências na DDPA: além do envelhecimento, há os núcleos de adultos, de crianças, de cadáveres e de comunicação, responsável por identificar pessoas sem identidade nos hospitais, por exemplo.

Ao analisar sua experiência de 12 anos de carreira, a delegada diz que o desaparecimento, às vezes, é pior do que a morte. “No homicídio os familiares vivem o luto. No desaparecimento eles enfrentam a dualidade da esperança e da dor. E essa esperança, a longo prazo, destrói”, disse, contando que há mães que andam nas ruas buscando por crianças que desapareceram há 20 anos, sem querer entender que as mesmas, se vivas, já estariam crescidas. 

Thifany: mala é da ex-mulher de suspeito

A mala onde o assassino colocou o corpo da menina Thifany Almeida é da ex-mulher de Sandro Luiz Alves Portilho, de 42 anos, preso como acusado do sequestro e morte da criança. Três dias antes do desaparecimento de Thifany, Sandro tentou matar a ex-mulher, que fugiu. “Ele é um psicopata. Inteligente, tem até faculdade de Matemática”, disse Elen.

Outro caso que jogou holofotes na delegada foi o desaparecimento da gestante Raynni Cristini, na semana do Natal. Ela foi morta após ter o parto forçado com remédio, aos sete meses de gravidez. “Ao usar o luminol na casa da suspeita vimos sangue nas paredes, no chão, nos móveis. Foi um crime medieval, cruel”, afirmou.

Recomendações

Uso de pulseiras 
Pulseiras com o nome e identidade devem ser colocadas nos pulsos de pessoas com problemas mentais ou idosos com idade avançada. Telefones de contato não são recomendados, pois facilitam o golpe da extorsão por criminosos.

Registros
O registro de desaparecimento pode ser feito em qualquer delegacia e não tem prazo mínimo para ser levado à polícia. “Devem ser feitos assim que o familiar perceber que a pessoa saiu da rotina dela e não consegue contato”, explica Elen.

Identidade
A confecção de identidades, até mesmo de bebês, é fundamental. “Pela digital podemos encontrar no banco de dados uma pessoa ou identificar um corpo. No caso da menina Thifany, o corpo foi liberado para o enterro após exame da digital, sem necessidade de realização de exame de DNA, que iria demorar muito mais.

Números
Em 2016, 2.089 pessoas foram encontradas. Outros 536 casos estão sob investigação.

Contatos
DDPA: (21) 2202-0337/ 0338. No Facebook da delegacia há retratos dos desaparecidos.


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