Por bianca.lobianco

Rio - A posse de Donald Trump tem feito muita gente já pensar em se mudar dos Estados Unidos para o Canadá. Para cidadãos norte-americanos, entrar no país vizinho é fácil: não precisam de visto para ficar até 180 dias. A burocracia é só se quiserem realmente imigrar. Já para quem é do Brasil, o processo não é tão simples, mas ficou mais fácil. O governo do Canadá anunciou a isenção de visto para brasileiros a partir de maio. Cariocas e fluminenses já planejam ‘arrumar as malas’ para embarcar para o país, para estudar ou trabalhar. Mas é preciso ter cautela e estudar bem antes de tomar a decisão.

Jaqueline%2C de São Gonçalo%2C juntou dinheiro para estudar em Montreal%3A ‘A experiência foi maravilhosa’Divulgação

“Quando li a notícia, achei que fosse só fazer as malas e entrar no avião”, disse a aposentada Cecilia Santos, de Jacarepaguá. O que Cecília não sabia é que a isenção do visto para até seis meses só vale para poucos e a maioria dependerá ainda do visto de turismo para entrar no Canadá. A autorização eletrônica (eTA) vai custar 7 dólares canadenses (menos de R$ 20), e é bem mais barata que o tradicional visto de turismo (100 dólares canadenses ou R$ 240).

A Embaixada do Canadá explica que a isenção é somente para quem visitou o país nos últimos 10 anos ou tem visto para os EUA. Para conseguir o eTA, o passageiro não pode ter histórico de deportação. “A facilidade para viajar entre os dois países se traduzirá em mais oportunidades para fortalecer nossos laços interpessoais, turísticos e de negócios”, diz Rick Savone, embaixador do Canadá no Brasil.

Já para quem vai estudar no Canadá, especialistas em Educação Internacional recomendam o visto de estudos. “É o instrumento que permite ao estudante estar legalmente no Canadá e participar de programas superiores a seis meses. Dependendo do caso, ainda permite o trabalho part-time ou full-time, segundo determinações do governo canadense”, explica Emerson Fernandes, diretor da Canadá Sem Fronteiras.

Dados do Ministério de Relações Exteriores mostram que 20 mil brasileiros escolhem o Canadá para estudar todos os anos e o número tende a crescer. Atualmente, o custo de um curso de idiomas no país pode ficar até um terço do valor de um curso similar nos EUA ou na Europa por causa da moeda canadense, que fica abaixo do dólar americano. Para quem pensa em mudar do Brasil por conta da crise, o Canadá pode ser uma opção. O governo do primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou a intenção de receber mais de 500 mil imigrantes nos próximos anos. 

Estudantes de vários países na BLI%2C escola de línguas em Montreal%3A busca por aperfeiçoar inglês ou francêsDivulgação

Estudante aprova a experiência

Dominar a língua do país, onde se fala inglês e francês, é um dos primeiros passos para quem pretende se mudar para o Canadá. “Ter um diploma de uma escola canadense pode abrir portas. Uma imersão na língua deixa a pessoa fluente em poucos meses”, garante Kalli Moraes, diretora de marketing da BLI, eleita em 2016 como uma das melhores escolas de línguas do país pelo Canada Study, a secretaria de educação canadense.

A economia e a possibilidade de estudar fora motivaram Jaqueline Santos, 24, de São Gonçalo. “Juntei cada centavo e fui para Montreal (uma das mais conhecidas metrópoles do Canadá). A experiência foi maravilhosa. Além de estudar e viver o dia a dia da língua inglesa, pude conhecer pessoas de vários países e uma cidade que parece cenário de filme”. 


Um mês de curso custa cerca de R$ 7 mil

Segundo Emerson Fernandes, a qualidade de vida no Canadá é uma das melhores do mundo e não existe violência urbana. “O Brasil vem ganhando expressividade na comunidade internacional, e não é de hoje. O eTA, a isenção eletrônica, está aí para comprovar este movimento. Significa maior abertura e estabilidade na mobilidade dos brasileiros”, diz.

O custo médio de um curso de quatro semanas de inglês ou francês no país é de R$ 7 mil. Os valores variam de cidade para cidade, tipo de hospedagem e a inclusão ou não de refeições.

“Já tinha pensado em fazer um intercâmbio, mas achava que não daria, pois precisaria de muito dinheiro para estudar e me manter por pelo menos um mês e que intercâmbio seria mais para adolescentes”, conta Jaqueline. Mas é preciso pesquisar bem na hora de escolher uma escola de línguas é o melhor caminho. “Um aluno deve levar em conta a qualidade do curso, a qualificação dos professores e o custo de vida local”, afirma Kalli Moraes.

Dúvidas sobre visto de estudante e programas de imigração podem ser tiradas no site Canadá sem Fronteiras: http://canadasemfronteiras.com/. Interessados também podem consultar os sites das embaixadas do Canadá no Brasil e do Brasil no Canadá. 

*Colaboração de Rosane Rodrigues, de Montreal

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