Por bianca.lobianco

Rio - Parentes de presos tiveram dificuldades para ter acesso aos presídios do Complexo Penitenário do Gericinó, em Bangu, no fim de semana. Das cerca de 300 pessoas na fila, apenas metade conseguiu entrar. Os demais tiveram que voltar para casa sem visitar os parentes. Eles alegam que uma operação padrão dos agentes penitenciários provocou demora na visita e causou tumultos na entrada no sábado e domingo.

Cerca de 300 pessoas se concentraram na porta do Complexo do Gericinó%2C mas só metade conseguiu entrar. Houve problemas na identificaçãoDivulgação

Se antes a forma de passar pelos portões era somente mostrando a carteirinha, agora foi adotada leitura ótica do documento e escaneamento de bolsas. O problema, de acordo com os familiares que não conseguiram passar pelo novo sistema é que muitas das identificações já vieram com as fotos apagadas.

“Estamos aqui desde cedo. Por que não avisaram que fariam essa leitura?”, questionava a mulher de um detento, que não quis se identificar. A entrada dos visitantes foi encerrada ao meio dia em ponto. “O jeito vai ser voltar em Campo Grande para fazer outra carteirinha. Sabe- se lá quanto tempo isso vai demorar”, conformava-se a dona de casa Maria de Lourdes, de 44 anos.

Célia Barreto, 56, não esperava que o marido teria problemas com a carteirinha e não poderia acompanhá-la, tampouco que o ônibus que disponibilizam para os visitantes chegarem às unidades prisionais estaria com defeito. “Não poderei entrar porque estou com dificuldades para caminhar por causa da Zika. Não tem ônibus e nem a ajuda do meu marido para chegar até meu filho”, disse a dona de casa, aos prantos. O marido, Luiz Marcos, 65, conta que os dois saíram de casa às 5h30. “Isso só prejudica os parentes e os presos. Esse governo não paga os funcionários e nós, pobres, pagamos o pato”, afirma.

A greve dos agentes penitenciários durou três dias e foi suspensa na sexta, por ordem da Justiça. O sindicato da categoria informou que iniciaria a ‘Operação dentro da lei’ no final de semana. Eles reivindicam o pagamento dos salários atrasados de dezembro e do 13º salário, além de melhoria das condições de trabalho, fim da superlotação em presídios e aumento de efetivo. Hoje, o Rio tem cerca de 50 mil detentos, 23 mil a mais do que a capacidade. Desses, 21 mil são presos provisórios que esperam julgamento. A Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

*Reportagem de Laila Ferreira

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