Família luta por enterro digno para travesti sepultada como indigente no Rio

Mãe e filha saíram de Manaus, mas chegam no IML às 6h todos os dias e são barradas pela burocracia e funcionário que nunca está no trabalho

Por O Dia

Rio - Uma família de Manaus, no Amazonas, vive uma corrida contra o tempo no Rio para ao menos tentar dar um "descanso" mais digno para um ente querido enterrado como indigente. Parentes da travesti Melissa estavam em busca de informações sobre ela quando descobriram em um grupo no Facebook alguém com as mesmas características foi morta com cinco tiros em Realengo, na Zona Oeste do Rio. A Delegacia de Homicídios confirmou o caso. Os parentes se deslocaram para resolver o problema, mas estão barrados pela burocracia e único funcionário que nunca está no posto de trabalho. "É um direito nosso enterrar, mas a falta de funcionário aqui não deixa", disse Fabiana de Souza, de 33 anos.

A família não conseguiu a documentação necessária e Melissa foi enterrada como indigente no dia 28 de dezembro do ano passado, no Cemitério de Santa Cruz. Ela e a mãe, Ivaneide Marques, estão hospedadas na casa de parentes em Guadalupe. O crime ocorreu no dia 7 de dezembro.

"Com a greve, não conseguimos resolver, o funcionário da área dos indigentes aqui no IML (Instituto Médico Legal) não aparece nunca, uma moça diz que ele pode vir cedo e sair logo então viemos aqui todo dia às 6h da manhã para não correr o risco, e só saímos à noite", contou Fabiana. "Queremos dar um enterro digno para minha irmã, queremos colocar um nome dela lá. Foi um assassinato e nada foi resolvido até agora e nem o atestado de óbito conseguimos", desabafou.

Homofobia

Fábio de Souza vieira trocou Manaus pelo Rio e aqui era conhecido como a travesti Melissa, conhecido como Mel. Segundo a irmã, o caso precisa ser investigado. "Acreditamos em crime de homofobia. Ele foi a São Paulo fazer cirurgia no nariz e um dia antes discutiu com o ex namorado e já ouvi falar que foi uma rixa de um outro travesti", disse. "Não sabemos ao certo o que houve", acrescentou.

A família acredita que para sobreviver Mel também fosse garota de programa, mas segundo a irmã, também fazia um curso de cabeleireiro.

"Transferir para Manaus custa muito caro e queremos pelo menos botar o nome dela lá no cemitério", disse consternada. "Em Manaus o povo é mais hospitaleiro. Não seríamos tratadas assim lá", finalizou.

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