Pais de Sofia vão à delegacia registrar ofensas feitas por professora na web

Professora disse que morte de Sofia foi por 'justiça divina' e causou revolta

Por O Dia

Rio - O policial militar Felipe Fernandes e Hérica Braga, pais da menina Sofia, de 2 anos, morta vítima de uma bala perdida em Irajá, estiveram, na manhã desta quarta-feira, na Cidade da Polícia para registrar queixa contra a professora de História Denise Oliveira, que escreveu em uma rede social que a morte de sua filha foi "justiça divina". A menina foi atingida na cabeça quando brincava no parquinho de uma lanchonete, na noite do último sábado. 

Felipe lamentou a postura da professora. "Foi muito infeliz. Ela tem a posição dela, cada um é livre para falar o que quiser, mas com certeza não foi certo o que falou. Se pensa assim, é um tipo de opinião que tinha que guardar para ela. Como um aluno vai ter um aprendizado com uma pessoa dessa?", disse.

Pais de Sofia estiveram na Cidade da Polícia nesta quarta-feira para registrar queixa contra ofensas feitas por professoraMarina Cardoso / Agência O Dia

Ainda muito emotiva e com a voz embargada, Herica, mãe de Sofia, também criticou as postagem da professora. "Na verdade, ela não pensou em nenhum momento na dor da perda da minha filha. Ela me ligou pedindo desculpa, me pediu perdão pelo fato, porque está todo mundo sabendo. Eu acredito assim, que o bandido da minha filha não tenho tanta raiva, porque ele não saiu pensando que ia matar minha menina. Foi uma fatalidade. Mas ela não, ela riu por uma criança que está morta", desabafou.  

Eles foram à Delegacia de Reprressão a Crimes de Informática (DRCI) comunicar as ofensas proferidas na internet. Diante dos fatos, a delegada da especializada, Daniela Terra, decidirá se abre o não procedimento para investigar a professora.

Professora causa polêmica nas redes sociais ao afirmar que morte de Sofia foi 'justiça divina'Reprodução Internet

Além da chamar de "justiça divina" o que aconteceu com a pequena Sofia, causando revolta nos internautas, ela menciona o assassinato de cinco jovens em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, em novembro de 2015, cometido por policiais do 41º BPM (Irajá). "Ontem a dor de uma família, hoje a dor é na sua família", declarava em um trecho. Felipe Fernandes, pai da menina de dois anos, é policial militar do 16º BPM (Olaria).

"A criança virou anjo. A você PM que mata todo dia, uma lição. Justiça nem sempre (nunca) vem pela toga. Aprende isso", diz ela em um trecho da publicação. Uma outra usuária da rede questiona qual seria a justiça na morte de uma criança de dois anos. "Justiça divina, já ouviu falar nisso? Pra quem acredita, Deus não dorme, ele cobra", respondeu Denise nos comentários.


Reportagem de Adriano Araujo e da estagiária Marina Cardoso

Últimas de Rio De Janeiro