Rio - Espaço democrático, as areias do Rio são o quintal para todo tipo de tribo. E isso vale do Leme ao Pontal, como diz o funk de Tim Maia, que leva o nome do trajeto que percorre todas as praias cariocas. E, para verificar essa diversidade, O DIA conversou com o povo que curtiu os dias de sol no fim de semana.
E havia espaço para todos. A bandeira com as seis cores semelhantes a do arco íris, fincada na frente do posto, entrega que é ali no posto 9 da praia de Ipanema, é o point dos gays, lésbicas e simpatizantes. “Vir à praia aqui é igual amar. A gente enxerga o mundo todo colorido”, brinca o médico Rômulo Machado, de 28 anos.
De Ipanema para a praia da Joatinga, o público muda. Mas o alto astral continua no Joá, para os íntimos, que reúne a galera da altinha, do surf e do mate com biscoito. É a praia com um público mais jovem, seja de idade ou de espírito.
Como a faixa de areia não chega nem a 300 metros, o pessoal se aperta e valoriza cada pedacinho antes que o mar suba e a praia suma. Além de ser de difícil acesso, a praia fica dentro de um condomínio de luxo próximo ao baixo Barra. Mas quem vence as barreiras de subir e descer pedras íngremes ou acordar cedo para conseguir uma vaguinha próximo ao mar, não se arrepende do que vive na praia quase que exclusiva.
Ali, tinha um grupo de estudantes de Niterói curtindo as ondas e a ‘vibe’. Com os pés apoiados em uma bola de futebol, Caroline Borges, 21 anos, disse que adora jogar altinha e que a praia é ideal pra isso, além de achar a mais bonita do Rio.
Beatriz Werneck, também de 21, diz que gosta do lugar, mas o que incomoda é o valor das coisas. “Os preços são exorbitantes. Uma água de coco tá nove reais e a água normal tá seis, muito caro!”, se queixa a estudante.
Para quem vai à Barra da Tijuca, a novidade deste verão é a chegada da linha 4 do metrô. André Luiz Ribeiro, que antes pegava dois ônibus para ir à praia, agora chega rápido às areias da Barra com o novo meio de transporte. “E vale a pena. A praia é mais vazia e tranquila”, diz.
Copacabana, uma das praias mais conhecidas do mundo, é frequentada por um público com mais idade, que também aproveita a orla para fazer longas caminhadas. É o caso do aposentado Helio Bittencourt, de 74 anos, que vai todo dia do Leme ao Arpoador.
PRAIA DO FLAMENGO
Apesar da má fama decorrente das águas da Baía de Guanabara, a praia do Flamengo é defendida fervorosamente pelos frequentadores mais fiéis. “Amo essa praia. As pessoas têm preconceito e acham que ela é suja, mas nunca tive nada na pele. Frequento desde os cinco anos de idade, aprendi a nadar aqui”, relembra a pedadoga Débora Cruz, que mora no Catete.
ÁGUAS IMPRÓPRIAS
O histórico de balneabilidade de 2016 do Inea mostra que, na maior parte do primeiro semestre do ano, as águas estiveram impróprias para banho. No entanto, a situação melhorou desde maio, e foram registradas várias semanas seguidas de maré limpa. Mas a classificação não parece afetar a frequência das areias: em dias de sol, o lugar está sempre cheio. A praia artificial foi criada junto com o Aterro, na década de 1960.
VISTA PARA O CRISTO
As águas da Baía se juntam a uma faixa de areia de 100 metros para formar um reduto para famílias com crianças na Urca. A vista para o Cristo ao sopé do Pão de Açúcar atrai pessoas da Baixada Fluminense e do Subúrbio. Foi ali, em frente ao Cassino da Urca (hoje o IED-Rio), que as amigas Sandra Leite, de 60 anos, e Vera Lúcia Martorelli, de 65, se conheceram, há 28 anos.
Pelas estagiárias Alessandra Monnerat e Manuella Yasmin