Praias cariocas são democráticas e têm espaço para todas as tribos

O DIA conversou com o povo que curtiu os dias de sol no fim de semana, desde os ‘coroas’ de Copa, o público GLS do posto 9 passando pelo povo da ‘altinha’ do Joá

Por O Dia

Rio - Espaço democrático, as areias do Rio são o quintal para todo tipo de tribo. E isso vale do Leme ao Pontal, como diz o funk de Tim Maia, que leva o nome do trajeto que percorre todas as praias cariocas. E, para verificar essa diversidade, O DIA conversou com o povo que curtiu os dias de sol no fim de semana.

E havia espaço para todos. A bandeira com as seis cores semelhantes a do arco íris, fincada na frente do posto, entrega que é ali no posto 9 da praia de Ipanema, é o point dos gays, lésbicas e simpatizantes. “Vir à praia aqui é igual amar. A gente enxerga o mundo todo colorido”, brinca o médico Rômulo Machado, de 28 anos.

'A Barra não está entre as praias mais famosas do Rio. Mas é um diferencial%2C pela calma'%2C diz Eder Lopes%2C que mora no Rio CompridoEstefan Radovicz / Agência O Dia

De Ipanema para a praia da Joatinga, o público muda. Mas o alto astral continua no Joá, para os íntimos, que reúne a galera da altinha, do surf e do mate com biscoito. É a praia com um público mais jovem, seja de idade ou de espírito.

Como a faixa de areia não chega nem a 300 metros, o pessoal se aperta e valoriza cada pedacinho antes que o mar suba e a praia suma. Além de ser de difícil acesso, a praia fica dentro de um condomínio de luxo próximo ao baixo Barra. Mas quem vence as barreiras de subir e descer pedras íngremes ou acordar cedo para conseguir uma vaguinha próximo ao mar, não se arrepende do que vive na praia quase que exclusiva.

O médico Rômulo Machado, o terceiro da esquerda para a direita, frequenta o posto 9, em IpanemaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Ali, tinha um grupo de estudantes de Niterói curtindo as ondas e a ‘vibe’. Com os pés apoiados em uma bola de futebol, Caroline Borges, 21 anos, disse que adora jogar altinha e que a praia é ideal pra isso, além de achar a mais bonita do Rio.

Beatriz Werneck, também de 21, diz que gosta do lugar, mas o que incomoda é o valor das coisas. “Os preços são exorbitantes. Uma água de coco tá nove reais e a água normal tá seis, muito caro!”, se queixa a estudante.

Para quem vai à Barra da Tijuca, a novidade deste verão é a chegada da linha 4 do metrô. André Luiz Ribeiro, que antes pegava dois ônibus para ir à praia, agora chega rápido às areias da Barra com o novo meio de transporte. “E vale a pena. A praia é mais vazia e tranquila”, diz.

Banhistas pegando dia de sol aprovam a praia do FlamengoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Copacabana, uma das praias mais conhecidas do mundo, é frequentada por um público com mais idade, que também aproveita a orla para fazer longas caminhadas. É o caso do aposentado Helio Bittencourt, de 74 anos, que vai todo dia do Leme ao Arpoador.

PRAIA DO FLAMENGO
Apesar da má fama decorrente das águas da Baía de Guanabara, a praia do Flamengo é defendida fervorosamente pelos frequentadores mais fiéis. “Amo essa praia. As pessoas têm preconceito e acham que ela é suja, mas nunca tive nada na pele. Frequento desde os cinco anos de idade, aprendi a nadar aqui”, relembra a pedadoga Débora Cruz, que mora no Catete.

ÁGUAS IMPRÓPRIAS
O histórico de balneabilidade de 2016 do Inea mostra que, na maior parte do primeiro semestre do ano, as águas estiveram impróprias para banho. No entanto, a situação melhorou desde maio, e foram registradas várias semanas seguidas de maré limpa. Mas a classificação não parece afetar a frequência das areias: em dias de sol, o lugar está sempre cheio. A praia artificial foi criada junto com o Aterro, na década de 1960.

VISTA PARA O CRISTO
As águas da Baía se juntam a uma faixa de areia de 100 metros para formar um reduto para famílias com crianças na Urca. A vista para o Cristo ao sopé do Pão de Açúcar atrai pessoas da Baixada Fluminense e do Subúrbio. Foi ali, em frente ao Cassino da Urca (hoje o IED-Rio), que as amigas Sandra Leite, de 60 anos, e Vera Lúcia Martorelli, de 65, se conheceram, há 28 anos.

Vera e Sandra, na praia da UrcaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Pelas estagiárias Alessandra Monnerat e Manuella Yasmin

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