Mutirão para reduzir filas para consultas e cirurgias

Parceria entre prefeitura e Ministério da Saúde promete desafogar hospitais

Por O Dia

Rio - O jovem Ian de Almeida, de 22 anos, aguarda desde o primeiro dia do ano por uma cirurgia no Hospital Municipal Souza Aguiar. Ele sofreu um acidente de moto, quebrou o fêmur das duas pernas e colocou pinos, mas ainda falta implantar as platinas. “O problema é que meu filho tem que ficar na mesma posição sempre, não pode se mexer. Ainda é complicado ficar esperando no hospital, podendo pegar uma bactéria e a perna dele atrofiar. Disseram que talvez essa semana ele opere”, contou a mãe, a cuidadora Alessandra da Silva, 43.

Ian é um dos 7.669 pacientes que aguardam nas filas internas de oito unidades hospitalares do município. O problema, agora, está com os dias contados. Um mutirão realizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) promete desafogar o problema no Souza Aguiar, Miguel Couto, Salgado Filho, Lourenço Jorge, Albert Schweitzer, Rocha Faria, Ronaldo Gazolla e Jesus, este último especializado em pediatria.

Com sua bebê no colo%2C Joyce reclama da demora para fazer um exame no Hospital Federal de BonsucessoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Ontem, o ministro da Saúde Ricardo Barros e o prefeito Marcelo Crivella anunciaram, no Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into), uma parceria para ajudar a desafogar as filas no Sistema de Regulação do município (Sisreg). A partir de fevereiro, os seis hospitais federais do Rio vão oferecer 5.460 procedimentos para a SMS, em um período de três de meses, sendo 2.300 consultas e 3.160 cirurgias nas especialidades com maior demanda, como catarata, vesícula e hérnia.

“É uma parceria para unificar a fila da regulação, para que todos os procedimentos aconteçam de forma integrada. Nesta fila única, nós avisaremos ao cidadão o seu lugar”, disse o ministro. Ainda segundo ele, dos R$ 395,4 milhões destinados a 37 municípios do estado, a capital receberá R$ 106,6 milhões.

“Com essa parceria com o governo federal, vamos alcançar esse sonho que é diminuir essa fila hedionda, que nos humilha e nos envergonha a todos, que é essa fila do Sisreg, com mais de 100 mil pessoas aguardando”, disse o prefeito. As cirurgias nos hospitais federais do Andaraí, de Bonsucesso, Cardoso Fontes, da Lagoa, de Ipanema e dos Servidores do Estado começam já amanhã. As vagas para consultas estão sendo marcadas a partir do dia 5.

A dona de casa Joyce de Oliveira, 20, reclama da demora para realizar uma tomografia no Hospital Federal de Bonsucesso. Há seis meses ela teve a filha Lais de cesárea e, após a cirurgia, teve infecção. “Fiquei internada por um tempo por erro médico. Me diagnosticaram com depressão pósparto, mas na verdade fiquei com muito pus no local da operação. Tentei por dois meses realizar exame aqui, umas três vezes, porque o equipamento estava sempre quebrado, mas não consegui. Só fui conseguir em outro hospital porque se não fosse isso, estaria esperando até agora”.

Médicos cobram salário e mais vagas

O diretor da Federação Nacional dos Médicos, Jorge Darze diz que celebrou o anúncio da transferência de recursos para o Rio de Janeiro, mas que é necessário saber como o governo está viabilizando esse projeto. “A Federação vê com bons olhos as medidas anunciadas hoje (ontem) pelo ministro da Saúde. Só que os governos precisam apresentar uma proposta sobre qual será o recurso humano para este projeto. A solução será ampliar esse recurso humano? Porque hoje nós temos a rede pública de forma geral defasada, tanto de enfermeiros quanto de médicos”.

Além disso, Darze disse que é necessário aumentar o efetivo de médicos e reajustar o salário dos funcionários atuais. “É preciso uma nova demanda de médicos, que se acrescente um plano de carreiras e ainda um reajuste no salário dos médicos do Rio, que é um dos piores do país”.

?Reportagem da estagiária Marina Cardoso

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