Intenso tiroteio assusta moradores do Complexo do Alemão

Tiroteio ocorre no retornos às aulas em escolas da rede municipal. Dois homens foram baleados e um policial ficou ferido na mão

Por O Dia

Rio - No dia em que se inicia o ano letivo na rede municipal, um intenso confronto entre policiais militares e criminosos armados impediu que cerca de 1.800 crianças tivessem aulas no Complexo do Alemão. De acordo com o Comando das Unidades de Polícia Pacificadora, a ação, que começou no início da manhã desta quinta-feira, tinha o objetivo de remover barricadas das ruas e coibir o tráfico de drogas. Durante a troca de tiros, dois moradores foram baleados e um PM foi ferido por estilhaços.

A ação deixou duas escolas, uma creche e três Espaços de Desenvolvimento Infantil de portas fechadas. Com medo da violência, a operadora de caixa Ingrid Peixoto Guimarães, de 26 anos, preferiu deixar o filho em casa. “Acordamos às 6h com o barulho dos tiros. Meu filho ficou apavorado e tremendo muito. Ele agarrou nas minhas pernas e pediu para não sair de casa”.

No ano passado, o mesmo menino havia sido impedido de ir à escola por 11 vezes devido aos intensos e recorrentes confrontos no Alemão. “Ele gosta de estudar e fica chateado quando não pode ir à escola. Isso atrapalha o processo de alfabetização. Infelizmente, somos obrigados a nos acostumar com a situação”, desabafou. O menino, que tem 8 anos, está matriculado no 3° ano do ensino fundamental e, para chegar ao CIEP Coronel Sarmento, precisa caminhar por 20 minutos. O DIA percorreu as vias de acesso ao complexo no fim da manhã e ainda se ouvia tiros em alguns locais e o blindado da PM atuava na área.

Escola municipal que deveria abrir o ano letivo ontem%2C no Complexo do Alemão%2C ficou fechada devido aos tiroteios durante operação da Polícia Militar nas comunidadesEstefan Radovicz / Agência O Dia

A coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação, Suzana Gutierrez, afirma que através da Secretaria de Educação irá solicitar à Secretaria de Segurança que as operações policiais não aconteçam durante o horário escolar. Segundo ela, em algumas ações o veículo blindado da PM fica estacionado na porta das escolas.

“A violência tem muitos reflexos negativos. Estudantes perdem a concentração, muitos não conseguem descansar a noite. Quando há conflito e os alunos estão na escola, somos obrigados a agachar pelos corredores para fugir dos tiros” reclamou. Na avaliação da psicóloga Paula Prata, expor as crianças a um cotidiano de violência pode deixar marcas irreversíveis. “Imagina uma criança convivendo com tiroteios e se deparando com mortes. Esses fatores podem ser determinantes para um futuro turbulento na vida dela. A violência nunca será banal”.

O especialista em segurança pública e ex-capitão do Bope, Paulo Storani, afirma que a polícia evita realizar operações nos horários escolares. “O que pode ter acontecido é que a ação demorou mais devido à resistência dos bandidos”. A Coordenadoria das UPPs informou que a operação foi baseada em informações do setor de inteligência. Os baleados foram levadas para hospitais da região e não foi informado o estado de saúde.

Prefeitura promete kits escolares até março

Em um evento para marcar o início do ano letivo nesta quinta-feira na Escola Municipal Ayrton Senna da Silva, em Bangu, o prefeito Marcelo Crivella prometeu manter os investimentos na educação: “Não faltarão os recursos necessários para que a educação se desenvolva com proficiência e competência, dentro das melhores condições possíveis”.

O secretário de Educação, Esportes e Lazer, Cesar Benjamin, que também participou do evento, prometeu criar um pacto com professores e diretores com o objetivo de zerar o analfabetismo funcional na rede: “Todas as crianças vão aprender a ler, escrever e dominar as operações da matemática. Esse ano ainda vamos fazer um grande mutirão para recuperar os alunos mais velhos que ainda não evoluíram no seu índice de proficiência.”

Através de nota, a secretaria informou que já iniciou a licitação para a compra dos kits escolares e prometeu resolver o impasse até o início de março. A rede municipal conta com 650 mil alunos e 1.537 unidades de ensino. Este ano, a rede contará com o reforço de 825 novos professores, além de 900 agentes de apoio a Educação Especial.

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