Coletivo rebate acusações e diz que Casa Nem acumula dívida de R$ 30 mil

Em nota, integrantes da Nuvem contam que a ativista Indianara Siqueira fez uma 'campanha difamatória nas redes sociais' contra eles

Por O Dia

Rio - Assim como o DIA noticiou na última sexta-feira, a Casa Nem está correndo o risco de fechar as portas na Lapa, Centro do Rio. Atualmente, o local oferece cursos e abrigo a 22 transexuais, transgêneros e travestis. A ativista Indianara Siqueira disse que a ocupação do local ocorreu após a Casa Nuvem ter uma "atitude transfóbica" contra ela. No entanto, os fundadores da Nuvem, que são donos do imóvel, rebateram as acusações da militante e reforçou que há uma dívida de R$ 30 mil de aluguéis e contas.

"A nossa casa coletiva foi invadida por Indianara em fevereiro do ano passado. Para se apropriar do nosso espaço e justificar o injustificável, Indianara fez uma campanha difamatória nas redes, nos acusando de transfobia. Fez ameaças de morte, lançou um boicote ao nosso bar, que era a nossa principl fonte de renda. Finalmente invadiu o espaço, ficando com grande parte das nossas pertences de mais valor somando mais de R$ 15 mil", explicou, em nota enviada ao ?DIA, Isabel Ferreira, fundadora da Casa Nuvem.

Além da quitação das dívidas, a Casa Nuvem pede que Indianara assuma o contrato da casa ou saia da residência.

Casa Nem corre o risco de fechar as portasGoogle Maps

Entre os cursos oferecidos na Casa Nem estão aulas de fotografia, gastronomia, alfabetização e o conhecido 'Prepara Nem', que prepara as alunas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O coletivo Nuvem reforçou também que Indianara não cumpriu os prazos estipulados. "Tem sido uma agonia lidar há um ano com promessas não cumpridas, ao mesmo tempo em que tentávamos facilitar a 'ocupação' do nosso próprio espaço", completou.

Atraso no pagamento do aluguel

Em entrevista ao DIA, Indianara contou que ela e as outras moradoras começaram a atrasar o aluguel em novembro do ano passado. "Hoje temos uma dívida de R$ 30 mil, sendo R$ 20 mil é de aluguel", disse Indianara, acrescentando ainda que, antes da ordem de despejo, tentou estender o prazo para depois do Carnaval. "Mas o coletivo e a imobiliária não aceitaram. Vamos nos reunir segunda. Se não conseguirmos ficar, não há outra casa disponível", lamentou.

Nas redes sociais, as ativistas criaram uma "vaquinha" para ajudar no pagamento das dívidas. Até a publicação desta reportagem, as organizadoras já tinham recebido metade do valor. Na página, elas destacam ainda que a Casa Nem é "autossustentável".

Leia a íntegra da nota da Casa Nuvem

?"A nossa casa coletiva foi invadida por Indianara Siqueira, candidata a vereadora do Psol em fevereiro de 2016. Até hoje, nós da Casa Nuvem, ainda locatários do imóvel, acumulamos uma dívida de mais de R$ 30 mil de alugueis e contas sem pagar.

Para se apropriar do nosso espço e justificar o injustificável, Indianara fez uma campanha difamatória nas redes nos acusando de transfobia e outros, fez ameaças de morte, lançou um boicote ao nosso bar, que era a nossa principl fonte de renda. Finalmente, invadiu o espaço, ficando com grande parte das nossas pertences de mais valor somando mais de R$ 15 mil.

Para evitar a violência que aconteceria no caso de forçar a convivência ou expulsar as pessoas que invadiram a nossa casa, seguramos a dor, apertamos os dentes e decidimos facilitar a subsituição dos nossos nomes no contrato ao nome de Indianara. A Nuvem fez mediação com os donos apresentando a Indianara como uma das sócias do coletivo que iria nos substituir no contrato. Mantivemos o silêncio para tentar evitar ruidos nas redes e mais ataques que dificultariam a mediação.

Mas, até hoje, os muitos prazos acordados com Indianara não foram respeitados. Tem sido uma agonia lidar há um ano com promessas não cumpridas, ao mesmo tempo que tentávamos facilitar a “ocupação” do nosso próprio espaço por quem havia agido tão perversamente para ficar com ele.

Todas sabemos que as pessoas trans são alvo sistemático da injustiça e da violência, mas também é certo que nos da Nuvem sofremos o uso da acusação de transfobia como arma para conseguir beneficios pessois. Os meios não justificam os fins."

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