Motorista de Uber assassinado no Maracanã é enterrado no Cemitério de Irajá

Carlos Henrique Gonçalves Filho foi baleado durante tentativa de assalto na Rua Ibituruna, no Maracanã

Por O Dia

Rio - O motorista da Uber, Carlos Henrique Gonçalves Filho, de 25 anos — assassinado durante uma tentativa de assalto na Rua Ibituruna, na Tijuca, na Zona Norte do Rio — foi enterrado na tarde desta terça-feira. O sepultamento aconteceu no Cemitério de Irajá, também na Zona Norte. 

Motorista de Uber é enterrado no RioFotos%3A Marcos Fernandes/Divulgação

Emocionado, o pai da vítima revelou que pedia para o filho não trabalhar à noite. "Ele estava ralando mais porque ia viajar com os amigos, com as irmãs. Falei mais de uma vez: 'Carlinhos, não trabalha à noite que é perigoso de madrugada'. Mas ele gostava de pagar as continhas dele em dia, tudo direitinho, arrumar o dinheirinho dele", contou Carlos Henrique Gonçalves Figueiredo, de 59 anos.

Horas antes do enterro, centenas de motoristas da Uber partiram em comboio para o cemitério, onde reivindicaram mais segurança. Um cartaz chamava o serviço de transporte de passageiros de 'violento' e de 'Uberilusão'. Os condutores também desligaram o aplicativo como forma de mostrar insatisfação com morte do colega profissional e a falta de segurança na cidade. 

Carlos Henrique Gonçalves Filho trabalhava há apenas 8 meses como motorista de Uber. Ele fazia uma das suas últimas corridas, após uma jornada de 12 horas. Carlos ia buscar um casal em casa, quando teve seu carro fechado por três assaltantes, que estavam em um carro preto. 

Em depoimento a polícia, as testemunhas afirmaram que o motorista não reagiu ao assalto. "Eram três homens brancos, o armado usava boné. Quando o motorista saiu do carro, levantou as mãos. Ele era alto e o assaltante se assustou, atirou. O motorista ficou em pé. Os bandidos fugiram sem levar o carro”, diz relato no registro de ocorrência da delegacia da Praça da Bandeira, onde o caso teve seu primeiro registro.

Motoristas relatam sufocos

Não eram poucos os motoristas que relataram, durante o enterro de Carlos Henrique, já terem passado por situações parecidas. Ricardo Milesia, de 30 anos, buscava passageiros em Coelho Neto quando três homens armados o abordaram. Enquanto um entrava no carro, um dos comparsas pediu para o motorista deitar de barriga para o chão. E atirou. A arma, por sorte ou por falta de bala, falhou. "Só ouvi o barulho do 'clack'", recordou Milesia.

Professor estadual de História, Rafael Mandarino, de 34 anos, teve que recorrer às corridas de Uber por causa da crise que vive o Rio. Certa vez, ele buscou um casal em Guadalupe que botou uma arma em seu pescoço e pediu para seguir até a favela de Jorge Turco, em Coelho Neto, onde buscou drogas e levou até outra comunidade. "Os passageiros ainda avaliaram a corrida em 5 estrelas e me elogiaram", conta. 

*Com informações do estagiário Caio Sartori




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