Carteiros são alvo fácil de ladrões na Grande Tijuca

Moradores têm encomendas dos Correios 'interceptadas' por bandidos antes de chegar ao destino. Para driblar os roubos, o jeito é 'combinar' entregão

Por O Dia

Rio - Um vídeo postado no Facebook mostra uma situação recorrente na Tijuca: enquanto espera ser atendido em frente a um prédio na Rua Uruguai, um carteiro é abordado por um assaltante que o obriga a carregar a encomenda para um carro. Moradores da região reclamam que é cada vez mais comum ver a mensagem “objeto roubado” no sistema de rastreamento de correspondências dos Correios.

O vendedor de figuras de ação Rafael Carvalho, de 39 anos, teve duas encomendas roubadas na mesma semana de janeiro. Uma delas voltou para ele de forma inusitada: um comerciante da Rua Uruguaiana ofereceu a Rafael pouco tempo depois a mesma figura, uma miniatura do Homem de Ferro rara avaliada em R$ 1,6 mil, por R$ 1 mil.

Vídeo divulgado em redes sociais mostra assaltante abordando carteiro com encomenda na Rua UruguaiReprodução

“Tenho certeza que é a mesma que foi roubada. Tentei registrar a queixa na 19ª DP (Tijuca), mas não fizeram nada. Disseram que por causa da greve só estão investigando assassinatos e crimes mais graves”, contou. A Polícia Civil informou que não registrou casos de roubos de encomendas e pediu que Rafael compareça novamente à delegacia ou faça o registro pela internet.

Como seu trabalho depende de receber encomendas pelos Correios, Rafael criou uma estratégia para garantir que seus produtos cheguem à casa dele, na Praça Saens Peña, com segurança. “Fiz amizade com o carteiro, peguei o WhatsApp dele. Ele me avisa quando está chegando e fico esperando. Se a encomenda ficar mais tempo na rua, dá mais chance para o azar”.

A administradora Mariana Bezerra, 33, passou pela mesma situação quatro vezes em apenas duas semanas no ano passado. Depois do quarto roubo, foi à agência dos Correios na Praça Saens Peña para entender o que aconteceu. Mas o estabelecimento estava fechado, após um assalto. “Os pacotes eram roupas para o meu bebê, que tinha sete meses. A moça que me mandou enviou novamente as roupas e elas também foram roubadas. Eles roubam a kombi, então o que tiver lá dentro eles levam”, disse Mariana.

Força-tarefa para diminuir roubos

Embora reconheça que os assaltos a carteiros sejam uma “situação endêmica no estado”, os Correios não divulgam estatísticas de roubos. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, em março do ano passado foi criada uma força-tarefa na capital e na Região Metropolitana do Rio, as mais afetadas pelo aumento da criminalidade.

As ações preventivas incluem o uso de escolta armada para acompanhar carteiros, a implantação de ferramentas de gerenciamento de risco, a instalação de câmeras nos veículos interligadas à central de monitoramento e o fortalecimento de parcerias com os órgãos de defesa do consumidor e de segurança pública do Estado e da União. No caso de vendas online com mercadorias roubada, o destinatário deve entrar em contato com o remetente para pedir um novo envio. Já o remetente deve pedir aos Correios a indenização, que inclui a quantia paga pelos serviços de entrega e, no caso de objetos segurados, o valor declarado do objeto.

?Reportagem da estagiária Alessandra Monnerat

Últimas de Rio De Janeiro