Funcionários da Rio Imagem fazem paralisação de 15 dias

Funcionária do consórcio está a ponto de ser despejada da casa onde mora com o filho por atraso no pagamento do aluguel

Por O Dia

Rio - Há dois meses sem receber salários, sem condições mínimas para o atendimento ao público, como papel e envelope para entrega de resultados de exames além do plano de saúde suspenso, os funcionários do consórcio Rio Imagem, no Centro, decretaram paralisação até o dia 15. Severino Amâncio, que veio de Ramos e não sabia do ato, chegou à unidade e se deparou com as portas fechadas. “Preciso fazer uma biópsia da próstata. Estou com uma bolsa coletora de urina e saí de casa a toa. É uma dificuldade andar com isso. Agora vou pra casa tentar remarcar o exame em algum lugar. Meu caso é urgente. Não sei se tenho um câncer”, diz inconsolável. 

Funcionários estão há dois meses sem receber salários%2C sem condições mínimas para o atendimento ao público%2C como papel e envelope para entrega de resultados de exames Foto%3A Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Durante a manhã de ontem, os funcionário vestiram preto na porta do Rio Imagem para simbolizar o luto. “Mesmo sabendo da situação o Sisgeg (Sistema Nacional de Regulação) continua marcando os pacientes pra cá. Não temos papel nem envelope para imprimir e entregar os exames, muito menos médico para laudar. Desde outubro as coisas pioraram muito. Alguns pacientes têm sido encaminhados para a clínica Helion Povoa, em Del Castilho, para fazer alguns exames, mas o resultado só sai aqui. Como? Se não temos como imprimir! E gostaríamos de entender o que essa clínica tem a ver com a história se ela é particular”, desabafou a atendente de serviços médicos, Shirley Marques, apoiada por colegas de trabalho que diziam que até funcionários da Rio Imagem foram convocados para trabalhar na referida clínica. 

Há cinco meses em busca do resultado da tomografia que fez na clínica Helion Povoa, Hildebrando Batista, 48 anos, diz que não sabe como vai ser na próxima consulta médica. “Preciso do resultado para começar a fisioterapia”, diz. Assim como o Hildebrando, Adelita Vieira, 59 anos, também foi encaminhada para a Helion Povoa e continua à espera dos resultados. “Vim na Rio Imagem, eles disseram que não tinha como fazer e me encaminharam pra lá. Com a minha irmã foi a mesma coisa”, conta Adelita, que veio de São Gonçalo e não conseguiu buscar o resultado dos exames, mais uma vez “Isso é o fim do mundo!”, diz, indignada.

Funcionária da Rio Imagem, Tatiane Regina Silva, 23 anos, está a ponto de ser despejada da casa onde mora com o filho por atraso no pagamento do aluguel. “Nem o material do meu filho consegui comprar todo. Era pra ele ter começado na escola sexta, mas só conseguiu ir hoje (ontem). A gente procura a gerência mas eles não dão uma posição”, desabafa.

Em nota, o consórcio Rio Imagem diz que o contrato com o SES foi encerrado no dia 10 de novembro e que oficiou interesse em renová-lo. O ofício ainda colocava a intenção de manter  os valores atuais praticados, o que, segundo o consórcio, traria economia a SES nesse momento de crise. “Desde então aguardamos o retorno da SES mas ele não aconteceu (...) Infelizmente, após 87 dias, a falta da formalização contratual e consequentemente do pagamento trouxe grande insegurança aos funcionários e tornou inviável a continuidade da operação”, diz a nota. 

Procurada, a SES desconhece a realização de exames na clínica Helion Povoa. No entanto pacientes mostraram, ontem pela manhã, à reportagem do DIA, o encaminhamento que receberam da Rio Imagem para buscarem a clínica em del Castilho para realização de exames, no final do ano passado. Em nota, afirmaram que a Rio Imagem passou por auditoria e foram constatadas irregularidades, como a não entrega de resultados exames e que a empresa recebeu nos últimos 12 meses os valores previstos em contrato. "A auditoria está sendo concluída e a SES tomará as providências cabíveis para que os serviços sejam retomados de forma adequada e com qualidade para a população".


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