Legado olímpico, escolinha de futebol no Aterro está ameaçada

OS responsável pelo projeto está sem contrato e prefeitura estuda se fará nova licitação

Por O Dia

Rio - A menos de seis meses após o fim dos Jogos, um ‘legado olímpico’ já começou a ruir. Desde novembro, a escolinha de futsal do Parque do Flamengo funciona sem recursos da prefeitura. Parte do projeto Rio em Forma Olímpico, as aulas atendem pelo menos 130 crianças de 4 a 15 anos de várias origens e classes sociais. O professor da garotada, Wagner Rocha Lima, o Waguinho, de 60 anos, tem trabalhado de graça — e por vezes, tirando do próprio bolso — para garantir transporte para jogos de campeonatos.

“Não aceitei ajuda financeira dos pais, não achei justo. Pelo menos 90% deles não têm condições de pagar uma atividade para os filhos, a maioria dos que fazem aula à tarde é de comunidades”, contou ele, que também dá aulas de futebol de cadeira motorizada e como personal trainer.

Professor Waguinho tira dinheiro do bolso para atender os alunosDivulgação

O projeto foi pensado como parte do legado dos Jogos e era parcialmente administrado pela organização social (OS) SóLazer. O diretor-presidente da instituição, Raphael Gonçalves, disse que o contrato começou em 2012 e terminou com o fim da gestão de Eduardo Paes, em dezembro. Segundo ele, eram 30 mil atendimentos em 500 núcleos de atividades esportivas, dos quais a OS geria 350.

“Muitas não teriam poder aquisitivo para pagar uma escolinha. Ali eles não aprendem só futebol, eles aprendem a conviver, a respeitar e ter disciplina”, comenta Paula de Menezes Toso, mãe de dois alunos. Pai de um pequeno jogador de cinco anos, o engenheiro Tarcisio Melo, 43, que mora no Flamengo, lamenta: “Meu filho joga com crianças de todas as classes sociais, ao contrário das atividades que faz no clube. Muitas crianças de famílias humildes vão ficar sem o esporte em pleno Aterro cheio de quadras”.

Enquanto isso, Waguinho disse que vai “segurando a onda, mas faz falta”. As aulas de futsal já renderam títulos sub-13 e sub-15. Recentemente, tem até crescido a participação das meninas. “Coloquei elas para jogar junto com os meninos e elas jogam muito bonito, tocam bem a bola. Isso aqui é muito importante para as crianças, por isso falei que não ia largar. Enquanto tiver saúde, vou continuar”, garantiu.

A nova gestão da Secretaria de Educação, Esportes e Lazer informou que "tem o interesse em dar continuidade ao projeto e está elaborando os termos de referência do edital para o processo licitatório". “Acredito que a continuidade do projeto é uma questão de tempo. Ainda não houve tempo hábil para fazer uma nova licitação”, ponderou o presidente da SóLazer.

Reportagem da estagiária Alessandra Monnerat

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