Família Schurmann já planeja nova volta ao mundo em um veleiro

Poluição na Baía entristece a tripulação

Por O Dia

Rio - A Família Schurmann chegou ao Brasil em dezembro, após uma volta ao mundo que durou 812 dias. Agora o veleiro Kat ancora no Rio e a família já pensa na próxima expedição. Esta, que será a terceira, terá um propósito especial para a tripulação.

A família Schurmann já planeja nova volta ao mundo em veleiroEstefan Radovicz / Agência O Dia

“Queremos nos reencontrar com lideranças dos lugares por onde passamos e orientá-los quanto à sustentabilidade, conscientizá-los. Aprendemos tanto com eles, é a nossa vez de retribuir”, conta o patriarca Vilfredo Schurmann, capitão da embarcação. Em um passeio na Baía da Guanabara, a poluição entristece os Schurman, mas ao mesmo tempo os inspira à nova travessia. A última expedição começou em 21 de setembro de 2014, quando a família partiu de Santa Catarina, e passou por cerca de 50 lugares.

O veleiro é equipado com uma composteira, que produz fertilizante natural a partir do lixo orgânico e nutre a horta montada na popa do veleiro; uma compactadora que compacta até 80% do lixo produzido, além de um sistema de filtragem de água do mar. “Para ter uma ideia, 11 pessoas durante 22 dias na Antártica acumulamos apenas dois sacos de lixo. Antigamente acumulávamos o lixo e descartavamos no porto da próxima parada. Hoje é mais prático e mais higiênico”, conta Wilhelm, o caçula da família.

Criada no Rio de Janeiro, Heloisa Schurman, está muito feliz em voltar à sua cidade e relembra histórias de quando ainda era possível mergulhar nas águas da baía. "Estar de volta ao Rio é voltar à minha infância, eu cresci aqui. Não tinham todos esses prédios perto da orla, a gente tinha uma visão muito melhor das montanhas mas mesmo assim o Rio continua lindo. Hoje, mesmo tendo visto golfinhos aqui (na baía da Guanabara), a água está muito suja e gostaria mesmo é que estivessem limpas e lindas como era antes. Lembro que tomávamos uma balsa da cantareira ou íamos a Paquetá onde as águas ainda eram clarinhas… E sobre a próxima expedição vamos começar pelo quintal de casa, né?!", pontua.

Junto à HDI Seguros e a Solvi, a Universidade Estácio foi uma das patrocinadoras da expedição Oriente. Professor de história da Estácio, Rodrigo Rainha diz que falar do Rio de Janeiro e de sua transformação sem falar na Baía da Guanabara é impossível e sua despoluição é sinal de respeito à história da cidade.

"As cidade cresciam e tudo era jogado no mar, isso era natural. O banho de praia não era comum. Isso ocorreu por muito tempo. Não existia a necessidade de transformação. Quando você tem, a partir da metade do século XX, a ideia de que fazemos parte do ecossistema, a Baía acabou se tornando símbolo do que ha de ruim, da destruição do meio ambiente e ao mesmo tempo o símbolo de uma cidade que quer se transformar em algo melhor", explica Rainha

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