TCE investiga compra de armas com defeito

Contrato do governo do estado com empresa Taurus passará por auditoria. De cada 10 pistolas, seis têm pane

Por O Dia

Rio - Teste feito pela Polícia Civil do Rio revelou que de cada 10 pistolas da Taurus, pelo menos seis dão defeito. Das 55 pistolas calibre ponto 40 da marca, 36 tiveram algum tipo de pane (65%). O dado contribuiu para o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) determinar uma auditoria na Secretaria de Estado de Segurança para investigar os contratos para compra de armamentos. Os problemas nas armas também já tinham sido mostrados por reportagem do DIA no ano passado.

De 2007 a 2013, o Estado pagou R$ 46,5 milhões para comprar 10.422 armas da marca Taurus. O Tribunal quer que os valores licitados sejam detalhados e que se apure o número de policiais mortos ou feridos em consequência de problemas no disparo do equipamento, além de saber que medidas foram adotadas pelas autoridades para corrigir o problema. A decisão será comunicada ao governador Luiz Fernando Pezão. O ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame será notificado para apresentar as razões de defesa por não ter suspendido o uso das armas.

O documento também cita outros testes realizados pelo Batalhão de Operações Especiais no Estado do Paraná, em 2012, quando 100 das 500 pistolas postas à prova apresentaram pane. Ainda segundo o documento, a Polícia Militar do Estado de São Paulo recolheu todas as pistolas Taurus calibre ponto 40 em 2013, quando foram detectados problemas e as armas, encaminhadas para recall. Há informações também de que o Estado do Rio enviou parte das armas adquiridas à fabricante por apresentarem defeito no sistema de segurança.

O objetivo da auditoria é apurar o grau de eficiência dos armamentos, os registros de panes e as medidas adotadas para corrigir os problemas. O TCE também vai solicitar relatórios, testes e convocação para recall, entre outras medidas tomadas para tratar eventuais defeitos apresentados por armas de fogo da marca.

Segundo a denúncia, a partir de 2006 começaram as notícias sobre incidentes com armas produzidas pela Taurus. De 2007 a 2013 foram firmados 11 contratos para a compra de pistolas, carabinas e metralhadoras da empresa Forjas Taurus.

Em nota, a Taurus disse não ter sido notificada sobre qualquer procedimento do TCE. Leia o documento na íntegra:

"A Taurus não foi notificada sobre qualquer procedimento por parte do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Assim, não pode se pronunciar sobre seu conteúdo. 

O que a companhia pode afirmar é que não há quaisquer pendências em relação às armas fornecidas pela Taurus às polícias do Rio de Janeiro. Além disso, as perícias realizadas até o momento dentro das normas vigentes comprovam não existir falhas ou defeitos nos mecanismos de funcionamento e segurança das armas fabricadas pela Taurus.

Ainda assim, para garantir a tranquilidade de seus usuários e clientes, a Taurus vem realizando revisões e manutenções preventivas gratuitas de todas as armas em posse de forças policiais do País. A iniciativa tem como objetivo auxiliar as organizações a manter esses equipamentos em condições adequadas de uso".

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