MP investiga a não convocação de peritos da Polícia Civil aprovados em concurso

Candidatos foram aprovados na prova, em 2014, e concluíram o curso de formação em julho do ano passado, mas nunca ocuparam o cargo

Por O Dia

Rio - O Ministério Público do Rio (MPRJ) vai investigar o porquê dos 96 candidatos aprovados no concurso de papiloscopista da Polícia Civil, realizado em 2014, não terem sido convocados até hoje. O inquérito vai apurar possíveis falhas na política de Segurança Pública, já que existe um grande número de cargos vagos para a especialidade na Polícia Civil do Estado do Rio (PCERJ).

Os candidatos aprovados, inclusive, realizaram o curso de formação da Academia da Polícia Civil, em julho do ano passado. Em setembro, O DIA Online publicou reportagem sobre a denúncia dos candidatos, que chegaram a acampar na porta da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pedindo providências para o chefe da Polícia Civil. Muitos largaram seus empregos para se dedicar ao curso e estavam passando necessidade.

Em setembro do ano passado, aprovados no concurso de papiloscopista da Polícia Civil fizeram vigília na porta da AlerjDivulgação

De acordo com MP, a situação permanece a mesma, não havendo até o momento a homologação, permanecendo o quadro de pessoal técnico deficitário. Diversos diretores de Postos de Polícia Técnica serão chamados a se reunir com o MP para esclarecer as dificuldades enfrentadas.

O trabalho do papiloscopista consiste na realização de exames para confirmar identidade de cadáveres, de pessoas suspeitas ou presas, periciar impressões digitais em locais de crime, emitir atestados de antecedentes criminais, entre outras funções.

Quadro deficiente e paralisação

?Além do quadro deficitário dos peritos papiloscopistas, a paralisação dos policiais nas delegacias da Polícia Civil aumenta ainda mais a dificuldade de quem precisa de seus serviços. 

Na semana passada, a família do motorista de Uber Ed Wilson Araujo da Silva, de 28 anos, relatou sua via-crúcis para retirar o seu corpo da cena de um crime. Ele foi encontrado dentro de um canal na Favela Vila Sapê, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, mais de 24 horas depois de desaparecer, quando voltava para casa após encerrar uma corrida na região.

A mulher da vítima disse que procurou a delegacia, que se negou a ir ao local do crime. Eles precisaram remover o corpo de dentro do canal e colocar às margens da Rio-Magé, onde a perícia só apareceu quase 24 horas depois.

Últimas de Rio De Janeiro