Polícia busca irmã suspeita de mandar executar família em São Gonçalo

Diego admitiu que foi contratado para matar sua irmã adotiva, o diretor de eventos da OAB-RJ, Wagner Salgado e a filha do casal, Geovanna, de 9 anos

Por O Dia

Rio - A Polícia Civil prendeu mais um suspeito de ter participado do assassinato de três pessoas da mesma família, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Diego Moreira da Cunha, de 23 anos, foi preso em Saquarema, na noite desta quinta-feira. Os agentes também apreenderam as três armas e o carro utilizado no crime. Em depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), Diego admitiu que foi contratado por Simone Gonçalves Resende para matar sua irmã adotiva Soraya Gonçalves Resende, 38, o marido, o diretor de eventos da OAB-RJ, Wagner Salgado, 43, e a filha do casal, Geovanna, 9. Simone já teve o pedido de prisão temporária decretado pela justiça. Os agentes fizeram buscas na casa dela, em Saquarema, mas não conseguiram efetuar a prisão.

As vítimas foram executadas com tiros na cabeça enquanto dormiam, na madrugada do dia 17 de fevereiro. Um segundo atirador, identificado como Gabriel Botrel de Araújo Miranda, de 19 anos, já teve a prisão decretada pela Justiça. O pai de Gabriel, segundo a polícia, é instrutor de tiro e possui um stand de treinamento na casa de sua família, em Saquarema. Os agentes fizeram buscas no endereço, mas Gabriel não foi encontrado.

Diego contou aos investigadores que conseguiu entrar no apartamento das vítimas com a ajuda de Matheus Resende Khalil, 23, filho de Simone. Ele se entregou à polícia, na quarta-feira, assim como seu irmão gêmeo, Lucas Khallil. Em seus depoimentos, eles contaram aos policiais que no dia do crime deixaram o irmão mais novo, de 15 anos, na casa da avó, que mora no mesmo prédio das vítimas.

A motivação do crime, segundo a polícia, seria uma briga judicial envolvendo o inventário do pai de Soraya e Simone, no valor de R$ 7 milhões. A ação tramita há cerca de 20 anos na 6° Vara Cível de São Gonçalo.

Segundo o delegado Fábio Barucke, titular da DHNSG, os atiradores receberiam R$ 20 mil pelo serviço e os filhos de Simone ficariam com parte da herança. “Os dois irmãos afirmaram que a mãe nutria um ódio muito grande pela tia por ela ser filha adotiva e ter reivindicado direito a herança. A mãe (Simone) dizia aos filhos que um dia mataria a irmã. Ela contratou dois matadores e pediu aos filhos para ajudarem na execução do crime”, explicou.

Barucke afirmou, ainda, que os três presos mudaram as versões em seus depoimentos. Matheus havia dito que Gabriel e Diego efetuaram os disparos. Já Diego, disse que os três dispararam contra as vítimas. Depois, em um novo depoimento, eles afirmaram que Gabriel foi o único atirador. Para não despertar a atenção dos vizinhos, os criminosos teriam utilizaram um pano no cano das armas para abafar o barulho dos disparos. Pelo menos quatro tiros foram efetuados no quarto da família.

Magia negra

No local do crime, os peritos encontraram quatro dentes que teriam sido usados em um ritual de magia negra. Matheus contou aos investigadores que os dentes foram colocados no local pelos assassinos contratados por sua mãe.

Após a Justiça autorizar a quebra do sigilo telefônico de Simone, os agentes encontraram uma mensagem dela com um homem responsável por um terreiro, em Saquarema. Em um dos textos, ela pede para ele não esquecer da oferenda para “aquela entidade que mata”, sem citar o nome. Na quarta-feira, os agentes realizaram diligência no terreiro onde esse homem atuaria, mas o local estava fechado. O religioso será intimado a prestar depoimento.

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