No domingo de carnaval, ONG estuda plano para o ingresso de negros na faculdade

Cerca de 200 pessoas foram hoje até a Igreja Rosário dos Homens Pretos, no Centro do Rio, em meio a agitação do feriado, para a reunião mensal da Organização Não-Governamental (ONG) Educafro

Por O Dia

Rio - O domingo de Carnaval é não só de folia para alguns cariocas. Cerca de 200 pessoas foram hoje até a Igreja Rosário dos Homens Pretos, no Centro do Rio, em meio a agitação do feriado,  para a reunião mensal da Organização Não-Governamental (ONG) Educafro, que estuda estratégias para o ingresso da população negra em faculdades.

ONG discute políticas para ajudar negros a entrarem na faculdade em pleno domingo de Carnaval Sandro Voz/Agência O DIA

Há 40 anos, o diretor-executivo da organização Frei David Santos realiza reuniões mensais no último fim de semana do mês, com o objetivo de reunir pessoas que desejam entrar em uma faculdade. “Fiquei muito apreensivo quando vi que cairia em um domingo de Carnaval. Nunca marcamos reunião nesse feriado, mas acabei aceitando a ideia. Achei que não fosse vir ninguém, que todo mundo iria para a diversão. Mas diante da crise isso aqui é uma realidade”, conta o Frei David. Mas não foi o que se viu dentro da igreja. O local estava cheio de pessoas que sonham em ingressar em uma universidade, mas que ainda não tiveram oportunidade.

Segundo o diretor-executivo, a ideia da reunião é firmar estratégias de auxílio e bolsas para as pessoas. “Eles querem entrar em uma faculdade, mas não conseguem. Enquanto o Carnaval está rolando, o pobre negro quer estudar estratégias e acelerar o processo de ingresso na faculdade. Nós aqui tentamos parceria com faculdades particulares. Além disso, estamos debatendo como vencer o racismo institucional dentro da realidade brasileira”, explica o diretor-executivo.

Jéssica Santos de Castro, de 27 anos, batalha por uma vaga para ingressar no curso de Direito. “Eu sempre quis fazer essa faculdade, mas tudo é muito caro. Quero muito uma bolsa para entrar em alguma universidade. Além disso, quero mostrar que o negro consegue chegar em qualquer lugar com esforço. Quero fazer o curso para dar orgulho a minha família e pretendo ir mais longe ainda”.

O atendente de telemarketing Fabio Marcio Pinto, de 37 anos, sonha em cursar psicologia, na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). “É um curso não muito acessível, principalmente pelo preço. A certificação que eu busco é da PUC, que é uma das mais conhecidas. Conheci a Educafro este ano e vi que aqui poderia encontrar um caminho para o meu sonho. Quero fazer a faculdade e ajudar as pessoas.

Uma das estudantes que conseguiu ingressar em uma universidade conta a importância do projeto. Julia dos Santos Souza, de 20 anos, irá começar o curso de ciências sociais no segundo semestre, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). “Estou na Educafro há 2 anos e consegui entrar no curso que eu queria. É maravilhoso estar aqui hoje e  estar na presença de diversas histórias”. 

*Reportagem da estagiária Marina Cardoso

Últimas de Rio De Janeiro