Fernando Mansur: Papo de homem

Que tempo você dedica a você? É só trabalho, trabalho, obrigações e reocupações

Por O Dia

Rio - Amigo, em que estão nos transformando? Em seres vazios e totalmente voltados para a sobrevivência. Não sobra tempo para nós. Não relaxamos. Agora então com o computador e o celular é que não temos mais tempo pra nada!

Estamos conectados com tudo, menos conosco; já percebeu?

Que tempo você dedica a você? É só trabalho, trabalho, obrigações e reocupações. De vez em quando um passeio, uma ida à igreja, a uma casa espírita ou a algum outro templo espiritualista, mas só raramente. E geralmente é para solicitar ajuda, tentar resolver algo, nunca para agradecer ou oferecer colaboração.

Nós nos acostumamos a pedir, mas não nos habituamos a agir de forma coerente com nossos pedidos. Pedimos saúde, entretanto levamos uma vida extravagante. Não somos sensatos. Queremos, de fato, ‘milagres’. E milagres não existem na natureza. O aparente ‘milagre’ é fruto de profundo conhecimento das leis da vida por parte de quem o faz, e de merecimento de quem recebe a graça. “A tua fé te salvou”.

Amigo, as supostas necessidades da vida moderna, alicerçadas por toda essa publicidade avassaladora, estão nos levando a um precipício.

É pressa para tudo! Não suportamos mais a calma e o silêncio. Já notou? Tudo tem que ser pra já. E o caminho interno ou espiritual – que é o mais urgente e necessário – nós o estamos perdendo de vista.

Não olhamos mais para dentro. Não sabemos mais quem somos. Nós nos tornamos um arremedo de ser humano, forjados com tudo que há de mais material, transitório e superficial.

Peço licença para fazer mais uma pergunta: a que distância você está de si mesmo?

Dentro de você mora uma criança. Às vezes é preciso levar o menino pra passear. Já pensou nisso? Hoje é um bom dia. Vamos! 


Fernando Mansur: Radialista. Escritor. Professor. Graduado em Letras pela Universidade Católica de Minas Gerais (Ponte Nova). Mestre e doutor em Comunicação pela UFRJ.

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