Por thiago.antunes

Rio - Apesar de a febre amarela não ter sido registrada em área urbana, cariocas já recorrem ao uso de repelentes contra o mosquito transmissor. O produto tem sido usado por quem não está na lista de pacientes aptos para receber as doses em unidades públicas — bebês com menos de 9 meses e pessoas com mais de 60 anos, gestantes e mulheres amamentando bebês de até seis meses.

Os repelentes foram recomendados pelo Ministério da Saúde no período entre 2015 e 2016, para tentar proteger a população de picadas do Aedes aegypti, causador da dengue, zika e chicungunha. O mosquito é o transmissor da febre amarela em área urbana.

Enquanto não consegue vacinar o filho, a fotógrafa Fabiana Camargo, de 33 anos, tem usado repelente todos os dias. “Não deixamos de ir ao parque passear com a família, mas reforçamos os cuidados enquanto não tomamos a vacina. Vamos tentar tomar em algum posto de saúde. Estou esperando apenas o meu filho completar nove meses”, destacou. Ela estava com o bebê e a mãe, ontem de manhã, no Parque Lage.

A publicitária Vera Bastos, 60, costuma visitar o namorado nos finais de semana em Itacuruçá, no litoral sul do estado. Caso não consiga receber as doses da vacina nos postos de saúde, ela vai recorrer a unidade particular. “Estou muito preocupada”, comentou.

A diretoria administrativa do Parque Lage, Celina Martins, descartou o risco de proliferação do Aedes aegypti dentro do parque. Segundo ela, profissionais da Prefeitura do Rio estiveram no local e não detectaram a presença do mosquito.

“Estamos sempre vigiando as áreas com possível acúmulo de água para evitar que esses pontos virem foco. Temos um cuidado diário para manter a conservação do parque. As pessoas podem visitar sem medo”, destacou.

Segundo o infectologista e diretor da Faculdade de Medicina de Petrópolis, Paulo Cesar Guimarães, não há necessidade de pânico. “Não estamos em áreas com grande incidência. Vale lembrar que a vacinação exige um cuidado. As doses possuem vírus vivo atenuado, algumas pessoas podem ter efeitos colaterais. É importante que as pessoas evitem locais de mata para não ter contato com o mosquito” alertou.

Ainda segundo ele, o uso de repelente deve ser moderado, pois pode provocar reações alérgicas em bebês.  André Ricardo Ribas de Freitas, médico epidemiologista e professor da Faculdade São Leopoldo Mandic, lembra que o repelente não tem 100% de eficácia. “Sem dúvida é importante e contribui muito, porém, é importante fazer as aplicações de acordo com os rótulos e concentrações. Os mais eficazes são os que possuem DEET e Icaridina”, recomenda.

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