Assaltante de ônibus disse que precisava de dinheiro para o leite dos filhos

Segundo testemunhas, bandido também disse que precisava de dinheiro para pagar a passagem até o local onde assinaria a condicional, o que foi desmentido pela Secretaria de Administração Penitenciária

Por O Dia

Rio - Um homem de 25 anos assaltou um ônibus da linha 409M (Âlcantara-Niterói), fez 30 passageiros reféns e, cercado pela polícia, se rendeu sem ferir ninguém. O assalto aconteceu por volta das 9h da manhã na Avenida do Contorno, que liga São Gonçalo a Niterói e dá acesso à Ponte e provocou engarrafamentos. Jhon Lennon Silva Barbosa, de 25 anos, carregava uma pistola de brinquedo e disse que precisava comprar leite para os filhos. O motorista conseguiu piscar os faróis para PMs que estavam parados no caminho e pedir socorro.

Segundo testemunhas, Jhon Lennon Silva Barbosa, de 25 anos, afirmou que também precisava conseguir dinheiro para pagar a passagem até o local onde assinaria a condicional. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), ele estava em regime condicional desde maio de 2015.

O cerco ao ônibus durou um pouco mais de uma hora e teve participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Militar e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Durante a negociação, Jhon Lennon pediu a presença da mulher para se entregar. "Ele mesmo disse aos policiais que a arma era de airsoft (equipamento utilizado em alguns jogos)", contou o técnico em informática Maicon Firmo, de 24 anos.

"Depois que todo mundo desceu, o bandido pediu para eu e uma senhora ficarmos porque estávamos conversando com ele. Quando descemos, ele já estava desarmado e queria que a esposa subisse no ônibus. Ele disse que estava assaltando para pagar a passagem para assinar a condicional e queria levar leite para os filhos dele", lembrou Maicon.

Segundo a estudante Fabiana Vidal, de 20 anos, o homem afirmou que "não queria machucar ninguém e não queria voltar para a cadeia". Na ocasião, a jovem estava sentada na parte traseira do ônibus. "É difícil, hoje em dia não podemos fazer nada, estamos reféns. Fiquei com medo de morrer, de ele matar todo mundo. Ele estava revoltado", contou.

Também técnico em informática, Felipe Rosendo contou que o bandido entrou no ônibus e chegou a pagar a passagem antes de anunciar o assalto. "Eu disse para se entregar, mas ele dizia que só faria isso diante da esposa e dos filhos. Mas antes disso ele 'tocou um terror', dizendo que atiraria se alguém entrasse no ônibus", completou Felipe, que percebeu que a pistola era de plástico.

PM e PRF atuaram na operaçãoDivulgação

De acordo com a assistente administrativa Eliane Malafaia, o suspeito percebeu que o motorista havia informado à polícia sobre o roubo. "A sensação que deu foi que ia ser um caso parecido ao que ocorreu no passado no Rio", disse a mulher, lembrando o caso do ônibus 174. Naquela época, o coletivo foi sequestrado e uma refém foi morta no Jardim Botânico, no ano 2000.

Porta-voz da PRF, José Helio Macedo confirmou que o motorista do coletivo fez um sinal para as equipes que estavam fiscalizando o trânsito por volta das 8h40. "Ele estava bastante nervoso, tentava esconder que a arma era de brinquedo", completou José Helio. "A gente contém a situação, faz isolamento e aguarda a chegada da negociação. É importante que a pessoa não reaja e, se possível, avise a polícia. Caso não seja possível, é melhor que não se coloque em risco. Mantenha a calma e não tente nenhum tipo de reação", explicou.

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