Prefeitura quer levar aulas de música às escolas das comunidades carentes

Nilcemar Nogueira, secretária municipal de Cultura de Marcelo Crivella, também pretende investir na Cidade das Artes, o maior centro cultural do Rio

Por O Dia

Rio - A Prefeitura do Rio pretende espalhar atividades culturais por todas as regiões da cidade, incluindo segmentos da sociedade que não tinham acesso a esse tipo de projeto. Nilcemar Nogueira, secretária municipal de Cultura de Marcelo Crivella, quer levar música, artes cênicas e até atividades circenses para as escolas das comunidades carentes, numa proposta de integração entre cultura e educação. Nos primeiros meses à frente da pasta, ela também pretende investir na Cidade das Artes, o maior centro cultural do Rio. E, para auxiliar na busca de recursos, há um estudo em andamento para criar um Fundo de Cultura, em parceria com o governo federal.

Prefeitura quer levar aulas de música às escolas das comunidades carentesEduardo Rocha / Divulgação

A atriz Fernanda Montenegro fechou parceria com a Prefeitura para fazer roda de leitura dramatizada nas escolas da Zona Oeste, diz Nilcemar. “Não adianta entrar na favela só com arma. Tem que entrar com cultura, para que a população desassistida se transforme numa massa crítica e comece a cobrar direitos. O que vejo, de forma entristecida, é uma pequena parcela que tinha benefícios diretos dentro de uma política de balcão. Hoje, isso não existe mais”.

Ela se refere a um grupo de artistas beneficiados pelo edital do Programa de Fomento à cultura do biênio 2016/2017, aprovado por Eduardo Paes no ano passado, o último do seu mandato. O edital previa a liberação de R$ 25 milhões. Entretanto, Nilcemar diz que a gestão anterior aprovou a proposta mesmo sem previsão orçamentária para esse recurso. A secretária diz, ainda, que o momento é de colocar ordem na casa — a Prefeitura alega ter uma dívida de R$ 4 bilhões, herdada do governo de Eduardo Paes, motivando um corte de 50% dos servidores.

“O sub-item 2.5 do item 2 do regulamento do edital diz que a liberação do valor está condicionada à disponibilidade orçamentária. O edital foi feito sem orçamento. Tenho que dar um recado real. Não posso prometer o que não tenho garantias para cumprir. Seria desonesto”, explica.

'Não adianta entrar na favela só com arma. Tem que entrar com cultura%2C para que a população vire massa crítica e comece a cobrar direitos'%2C diz Nilcemar NogueiraEduardo Rocha / Divulgação

Neta de Cartola e de dona Zica, Nilcemar conduziu a campanha para que o samba fosse reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 2007. Mestra da FGV em Gestão de Bens Culturais, Doutora em Psicologia Social pela Uerj e produtora cultural, ela também foi responsável pela criação do Centro Cultural Cartola e do Museu do Samba, entidade que presidia até assumir a pasta.

Assessoria de Eduardo Paes contesta Prefeitura

Questionada sobre a polêmica envolvendo o recurso aprovado pelo edital do Programa de Fomento à cultura do biênio 2016/2017, a assessoria de imprensa de Paes afirmou que o recurso deve ser repassado pela atual gestão. E contesta a informação de que não havia previsão orçamentária para liberar o recurso.

“A gestão do ex-prefeito Eduardo Paes esclarece que as seleções feitas ao longo de 2016 deverão ser executadas ao longo de 2017, e que não há dívida herdada pela nova gestão. Os projetos deverão ser desenvolvidos e pagos ao longo de 2017. A regra para o fomento é a mesma da lei do ISS. Você seleciona em um exercício para executar no ano seguinte”, diz, em nota.

A assessoria também contestou a existência do rombo de R$ 4 bilhões nos cofres públicos. “Um estudo independente comprovou que as contas da administração passada foram deixadas em dia e organizadas. Compete, no entanto, à atual administração organizar as contas”, alega a assessoria de Paes.

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