Dívida milionária deixa Feira de São Cristóvão sem luz

Administração do Centro de Tradições Nordestinas deve R$ 1,2 milhão à Light. Comerciantes passam sufoco para conservar alimentos

Por O Dia

Rio - Visitada por mais de 300 mil cariocas e turistas todo mês, a tradicional Feira de São Cristóvão está com o fornecimento de energia elétrica interrompido há dez dias. Segundo a direção do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, o problema é ocasionado pela falta de pagamento de duas contas de luz, uma dívida de cerca de R$ 1,2 milhão.

A Associação dos Feirantes, que administra o espaço, garante que o problema não afeta o funcionamento, já que a energia tem sido garantida por geradores. “Estamos em processo de negociação e em breve será normalizado”, informou em nota.

Mas a situação não é tão cômoda para os comerciantes, principalmente aqueles que servem comida, e pode representar risco à saúde dos consumidores, devido à dificuldade de armazenar alimentos e bebidas.

O Centro de Tradições Nordestinas recebe 300 mil visitantes por mês e é uma atração turística no RioSeverino Silva / Agência O Dia

“O Pavilhão de São Cristóvão abriga dezenas de barracas que servem comida e produtos que precisam de conservação. Alguns restaurantes grandes têm geradores. Só que, às segundas-feiras, como não há funcionamento da feira, eles são desligados. Os produtos estragam, mas alguns são vendidos mesmo assim”, denunciou um comerciante, que não quer ser identificado.

O gerente de um restaurante disse que as dificuldades financeiras da feira já vinham sendo alertadas pela presidência há dois anos. Segundo ele, menos da metade dos lojistas e barraqueiros paga a taxa condominial em dia. Desde que a luz foi cortada, o estabelecimento dele tem gastado cerca de R$ 600 por dia com óleo diesel para manter o funcionamento de geradores particulares. Domingo, quando a demanda é maior, o restaurante desembolsou R$ 2 mil para dar conta da iluminação e do armazenamento adequado de alimentos e bebidas. Alguns bares estão comprando gelo para abastecer o freezer. Na semana passada, até os palcos ficaram desligados. “A feira fornece gerador, mas em alguns períodos não é suficiente para todas as barracas. Às vezes, o fornecimento é interrompido”, comentou o funcionário.

A Vigilância Sanitária do Município afirmou que fará inspeção no local para verificar as condições dos alimentos. A Light, concessionária que fornece energia elétrica, informou que interrompeu o serviço na terça-feira da semana passada e aguarda o pagamento para normalizar. A Secretaria Municipal de Cultura, responsável pelo centro, não se manifestou até o fechamento da reportagem.

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