Por luana.benedito

Rio - Após quase uma semana sem aulas, a escola Escola Municipal Jornalista e Escritor Daniel Piza, em Acari, na Zona Norte do Rio, retomou parcialmente as atividades nesta segunda-feira. No dia 30 de março, a estudante Maria Eduarda Alves da Conceição, de apenas 13 anos, morreu no pátio da instituição enquanto fazia educação física, alvejada por três tiros, durante confronto entre policiais militares e homens armados. A perícia indicou que um dos tiros partiu da arma de um policial.

Culto ecumênico pela menina Maria Eduarda%2C morta a tiros no pátio da escola em AcariSEVERINO SILVA / AG O DIA

Na semana passada, pais e funcionários elegeram uma série de medidas necessárias para o retorno das aulas para que o trauma não prejudique o aprendizado dos alunos. Estão previstas assistência psicológica, atividades de grupo e reuniões nesta semana. A partir do dia 17, a programação inclui oficinas integradas e adaptadas ao currículo escolar.

Na última quarta-feira, os profissionais da escola enviaram uma carta à prefeitura do Rio, solicitando serviços de assistência social, cultura e saúde na comunidade. Dentre os pedidos, estão a instalação de um centro de referência de assistência social, uma lona cultural, uma clínica da família e um centro esportivo. Este último seria a ampliação da atual quadra em um ginásio poliesportivo, para o qual é sugerido o nome de Maria Eduarda.

Familiares de menina morta em Acari é recebida por PezãoFotos%3A Maíra Coelho/Agência O Dia

Família propõe Lei Maria Eduarda

“Como você se sentiria se houvesse esse tipo de incursão policial, colocando em risco a vida de sua filha?”. Esta foi a pergunta que abriu a reunião de ontem, no Palácio Guanabara, feita pelo pai de Eduarda, Antônio Alfredo da Conceição, 62 anos, ao governador Luiz Fernando Pezão. “Sinto muito!”, respondeu o governador, que não possui filhos biológicos.

Na reunião, parentes de Maria Eduarda, conhecida como Duda, 13 anos, morta durante operação policial em Acari, pediram a criação de uma lei que proíba incursões policiais no horário escolar em comunidades. “A reação de Pezão foi de surpresa diante dos familiares que levaram toda a reunião com um único objetivo: o de justiça”, disse João Tancredo, advogado da família. “Não tratamos ainda da indenização”, acrescentou.

Átila Nunes, secretário estadual de Direitos Humanos, disse que o que a família pede é que, em horário escolar, as crianças sejam preservadas. “A polícia está muito sensível em relação a isso. A conclusão do laudo da polícia vai ser o pontapé inicial da investigação”, disse. Sobre a criação da lei, o governo informou que deve passar pelo Legislativo.

Com informações da Agência Brasil

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