Presos na Operação Fatura Exposta são levados para presídio de Bangu

Ex-secretário Sérgio Côrtes e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita passaram por uma triagem para determinar em qual unidade irão ficar, de acordo com o grau de escolaridade

Por O Dia

Rio - Os três presos pela Polícia Federal durante a Operação Fatura Exposta, deflagrada nesta terça-feira, foram levados para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Na unidade os suspeitos cumprirão o mandado de prisão preventiva, determinada pela Justiça Federal.

Sérgio Côrtes e dois empresários foram presos pela Operação Lava Jato nesta terça-feira. Eles são acusados de fraude em licitações e corrupçãoFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

O ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita saíram às 15h10 da Superintendência da Polícia Federal, na Região Portuária, e seguiram para o Instituto Médico-Legal (IML), onde permaneceram cerca de 15 minutos. Eles saíram em duas viaturas da PF, rumo à unidade prisional em Benfica, onde passaram por uma triagem para determinar em qual unidade de Bangu irão ficar, de acordo com o grau de escolaridade.

Os homens foram presos nas primeiras horas desta manhã, em suas residências, acusados de corrupção na venda de insumos e materiais para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), na época em que Côrtes dirigia a entidade. Segundo a PF, o esquema, que envolvia superfaturamento, sonegação de impostos e pagamentos de propinas, continuou quando Côrtes assumiu a Secretaria Estadual de Saúde, durante o governo de Sérgio Cabral.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Côrtes receberia 2% de contratos firmados para aquisição de equipamentos e próteses. O ex-governador ficaria com mais 5%, que renderam a Cabral ao menos R$ 16,4 milhões no período investigado. O percentual que era desviado chegava a 10% dos contratos, com recursos destinados também a operadores do esquema, servidores públicos e ao Tribunal de Contas do Estado.

Os pagamentos eram depositados em uma conta no exterior, pertencente ao empresário Miguel Iskin. A investigação rastreou que, recentemente, Iskin tentou repatriar R$ 70 milhões. Ele é o dono de empresas fornecedoras de equipamentos e próteses ao estado do Rio e ao Into e também é suspeito de comandar um cartel internacional para assumir contratos abertos em pregões eletrônicos.

De acordo com a investigação, por meio dos pregões, a quadrilha chegava a arrecadar 40% dos contratos internacionais, acrescentando nos custos o valor de tributos que não precisavam ser pagos na importação.

Empresas mantêm contratos com o estado

Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, os procuradores disseram que as duas empresas de Iskin, a Oscar Iskin e Levfort Come?rcio e Tecnologia Me?dica Ltda, ainda mantém contratos com o governo estadual. Entre 2007 e 2017, as duas instituições receberam quase R$ 369 milhões em contratos relacionados à Saúde.

"Estamos investigando se há a participação de outros agentes que ainda estejam trabalhando", afirmou o procurador Rodrigo Timóteo, do Ministério Público Federal. Procurada pelo DIA, a secretaria não se posicionou sobre o caso.

A Receita Federal divulgou ainda que havia uma cartelização entre as empresas que concorriam às licitações, comandada por Iskin. O empresário atuou em projetos de alcance nacional. "Várias dessas empresas têm representação no Brasil", completou o procurador do MPF, Eduardo El-Hagi.

Com informações da Agência Brasil

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