Moradores organizam protesto contra violência em Vila Isabel

Eles relatam crescente sensação de medo e insegurança no bairro: 'O clima é de terror'

Por O Dia

Rio - Casos de violência têm sido cada vez mais frequentes em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio. Em menos de dois meses, um corpo carbonizado foi encontrado dentro de um carro perto do Morro dos Macacos, bandidos explodiram uma agência bancária e um policial militar reformado morto em tentativa de assalto a uma loja no Boulevard 28 de Setembro. Tomados pela rotina do medo, os moradores e comerciantes do bairro vão fazer um ato pela paz no dia 7 de maio.

"A violência saiu do controle das autoridades e nós precisamos defender nosso bairro, tradições e patrimônio. Vamos sair em uma caminhada pacífica, firmes e de mãos dadas, para chamar atenção das autoridades de segurança", escreveram os organizadores do protesto em comunicado na Internet. Eles pedem ainda que os participantes utilizem roupas brancas no dia da manifestação. A concentração da passeata será em frente à agência bancária que foi explodida na semana passada, a partir das 9h.

Agência bancária foi explodida no Boulevard 28 de SetembroEstefan Radovicz / Agência O DIA

Os números da violência em Vila Isabel assustam. Segundo os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), 78 veículos foram roubados em fevereiro deste ano, enquanto no mesmo período de 2016 foram 50. Outro índice que sofreu um aumento foi o de roubos de celular: 44 casos contra 33.

O clima de insegurança fez com que muitos moradores mudassem a rotina, como é o caso do jornalista Tiago Frederico, de 26 anos. Por causa dos assaltos, ele conta que evita algumas vias do bairro, como as ruas Torres Homem, Senador Nabuco e Engenheiro Gama Lobo.

"O clima é de terror. Desde que me mudei para o bairro, em 2009, nunca me senti tão inseguro. Nunca tinha evitado passar por algumas ruas, mas agora sempre tomo cuidado depois das 21h", afirma o jornalista. "Vejo a PM fazendo blitz quase todos os dias, mas sempre apreendendo motos. Você não vê os policiais fazendo rondas a pé, por exemplo", reclama.

Assim como Tiago, a arquiteta Lívia Bello, de 30 anos, também alterou seu trajeto no dia a dia em Vila Isabel. Ela diz que tem saído menos e voltado mais cedo para casa. "Tenho saído mais de táxi ou Uber para evitar usar o carro. Tenho medo de ser abordada na garagem de casa. Sinto que todos os moradores estão com receio de ficar na rua à noite", completa.

A jornalista Thaynan Ribas, de 29 anos, lamenta a sensação de medo no bairro e lembra que há arrastões e assaltos ocorrem a qualquer hora do dia. "Meu filho nasceu há três meses e não saio mais há noite. Não me sinto segura, principalmente com ele. É muito triste. Moro aqui desde os meus 8 anos e sempre andei tranquilamente", ressalta.

Procurada pelo DIA, a Polícia Militar informou que a região é patrulhada de "forma dinâmica por meio de rondas em viaturas e motos". Além disso, o 6º BPM (Tijuca), batalhão responsável pelo bairro, afirmou que há ações de abordagem e revista nas vias da área. "Entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, o batalhão apreendeu 29 armas de fogo na área de atuação", destacou.

Leia a íntegra da nota da PM

"?Segundo o comando do 6ºBPM (Tijuca), o bairro de Vila Isabel é patrulhado de forma dinâmica através de rondas em viaturas e motos, além de serem realizadas ações de abordagem e revista nas vias da região. Entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, o batalhão apreendeu 29 armas de fogo na área de atuação.

O comando do batalhão participa de reuniões do Conselho Comunitário de Segurança, no qual moradores, comerciantes e demais interessados possam apresentar e debater as demandas de segurança pública.

A Polícia Militar vem mês a mês perdendo recursos humanos e materiais. O trabalho diário da Corporação tem sido comprometido, dificultando o serviço preventivo, e a consequência direta é um maior enfrentamento. Somam-se a isso, os mais de 30 mil mandados de prisão em aberto não cumpridos no Estado e as audiências de custódia que tem colocado em liberdade, pessoas que são reiteradamente presas pela Polícia Militar. E que até a presente data a Corporação tem mais de 105 fuzis apreendidos. Esses dados refletem um cenário que não depende apenas da PMERJ para ser revertido."

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