Por luana.benedito
Publicado 23/04/2017 14:33 | Atualizado 23/04/2017 17:52

Rio - Apesar da chuva na manhã domingo, milhares de fiéis visitam a Igreja de São Jorge, no Centro do Rio, para prestar homenagens ao santo. Popular tanto entre os católicos quanto entre umbandistas, São Jorge é um dos símbolos do sincretismo religioso no Brasil.

Milhares de fiéis visitaram na manhã deste domingo%2C a Igreja de São Jorge%2C no Centro do Rio%2C para prestar homenagens ao santoMaíra Coelho / Agência O Dia

Na capital fluminese, a popularidade do santo é tamanha que, em 2001, a Câmara Municipal tornou o 23 de abril, dia de São Jorge, um feriado municipal. Em 2008, foi a vez da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) tornar o feriado estadual.

As missas de hoje começaram às 5h. Até às 16h, haverá celebrações, de hora em hora, em um palco montado na Avenida Presidente Vargas, próximo à igreja. A última missa, já dentro da igreja, está prevista para as 20h. A expectativa da Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge (nome oficial da paróquia) é que pelo menos 180 mil pessoas passem pelo local hoje.

Segundo o capelão da igreja, Padre Éfren Afonso, São Jorge é, junto com São Sebastião, o santo mais popular entre os cariocas. Segundo ele, o fato do santo, que na umbanda é conhecido como Ogum, atrair pessoas de outras religiões só reforça a união entre as pessoas. “A gente tem que entender que Deus é um só e vem para todos. E isso reforça a união entre nós porque haverá um só rebanho e um só pastor.”

Dona Maria José Araújo, de 90 anos, é católica e participa das celebrações a São Jorge há mais de 60 anos. Ela considera importante haver espaço para todas as religiões. “Meu marido, que era baiano, era da umbanda. E eu acompanhava ele [nos cultos]. Todo domingo eu vou à missa, mas quando tem um culto de umbanda, eu assisto”, disse.

Sônia Maria, de 67 anos, aproveitava um batuque em homenagem ao santo, em um bar na esquina próximo à igreja. “Eu sou católica e umbandista. São Jorge é o símbolo dessa união. É o santo guerreiro.”

Na Igreja Matriz de São Jorge, em Quintino, na Zona Norte, a movimentação deve ser ainda maior. No ano passado, 500 mil fiéis passaram pelo local no dia do santo. 

Acredita-se que São Jorge tenha sido um soldado romano da guarda de Diocleciano que teria se recusado a perseguir cristãos no século IV e acabou sendo morto por causa disso. Sua vida é envolta em lendas, como a de que teria matado um dragão. Como ele teria vivido antes da separação das igrejas cristãs, é venerado não só na Igreja Católica, como também na Igreja Anglicana e na Igreja Ortodoxa.

Homenagem também em Caxias

Nem a chuva constante esvaziou a tradicional feijoada em homenagem a São Jorge no bairro Engenho do Porto, em Duque de Caxias, na Baixada. A iniciativa de 30 famílias é repetida há sete anos. Na festa de hoje foram usados 30 quilos de feijão. As famílias levam os acompanhamentos, como farofa, arroz, couve, e somente as bebidas são compradas na hora no quiosque de um morador.

Mesmo com chuva%2C moradores lotaram a rua para saborear a feijoadaDivulgação

A feijoada é preparada na rua mesmo, em caldeirões sobre fogo e brasa. "O importante é a confraternização no dia do Santo Guerreiro", diz Ronaldo Carvalho, um dos organizadores da festa para pessoas de todas as idades.

Com informações da Agência Brasil

Você pode gostar

Publicidade

Últimas notícias