Por thiago.antunes

Rio - O salário do capitão PM fisioterapeuta Wellington Luiz de Oliveira, condenado por abuso sexual, não foi suspenso. Ele continua recebendo R$ 14.371,42 mesmo tendo sido considerado culpado por ter introduzido o dedo no reto da filha de um policial.

A Polícia Militar não informou se o Conselho de Justificação (CJ) do oficial concluiu por sua demissão da corporação. Ao contrário dos praças, que são excluídos pela própria PM, os oficiais só podem ser desligados após julgamento no Tribunal de Justiça (TJ), caso o secretário de Segurança concorde com a sua demissão.

O CJ é o início do processo de demissão de um oficial, onde uma comissão analisa se ele deve ou não continuar na corporação. O resultado do CJ é enviado, então, ao secretário de Segurança.

Em dezembro de 2016, o oficial foi condenado na Justiça Militar por “ato libidinoso divergente da conjunção carnal” a dois anos e 10 meses de prisão, em regime aberto. Ele introduziu o dedo no ânus da paciente como justificativa a um tratamento contra a dor no cóccix, sem permissão para o ato. O abuso ocorreu dentro do Hospital da PM, no Estácio.

Inicialmente, em nota, a PM havia informado que “o Conselho de Justificação foi encaminhado para o Secretário de Estado de Segurança e, provavelmente, já está em tramitação no Tribunal de Justiça”. Para ser remetido ao TJ, o secretário teria que concordar com o desligamento do oficial.

No entanto, a secretaria de Segurança negou a informação do recebimento do processo. Procurada novamente, a assessoria de imprensa da PM informou que a Corregedoria ainda irá enviar o documento para o secretário Roberto Sá, para o mesmo dar o parecer de concordância ou não com o resultado.

Caso o secretário opine pela demissão, seu parecer será julgado por desembargadores do TJ, que irão decidir, finalmente, se o oficial será ou não demitido.

Outro caso

Enquanto isso, o capitão fica na Diretoria Geral de Pessoal, recebendo salário, mesmo sem função. Em nota, a Corregedoria afirmou que “não divulga o resultado do parecer, evitando influenciar futuras decisões no processo”.

Além da condenação, o Ministério Público analisa o caso de outra vítima do capitão. Em setembro, quando ele já havia sido indiciado por abuso sexual, o oficial teria massageado os seios de uma soldado alegando ser um tratamento para dor no joelho. 

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