Caçada a 'feridas abertas' pelas calçadas da cidade

Com auxílio de aplicativo e muita sola de sapato, grupo percorre ruas do Rio a fim de mapear buracos, falta de acessibilidade e outras armadilhas para os pedestres

Por O Dia

Rio - No meio do calçada tinha buraco, pedras soltas, desníveis, fios expostos e falta de rampa. Cansadas das inúmeras ciladas que se tornaram as ruas da cidade, Nibia Cardoso, da página no Facebook Giro Urbano, e Thatiana Murillo, da página Caminha Rio, mapearam ontem ‘armadilhas’ em Botafogo e em Copacabana. “E sábado fizemos em Ramos”, salienta Nibia.

A iniciativa faz parte da campanha ‘Calçada #Cilada’ e foi criada pelo Instituto Corrida Amiga. O objetivo é mapear problemas urbanos através do aplicativo Colab, que no fim encaminha os dados registrados com ‘#Cilada’ para os órgãos competentes. Em Curitiba, no Paraná, a prefeitura já usa o aplicativo.

O encontro foi marcado pelo Facebook. Interessados foram chegando e pouco tempo depois já começaram os trabalhos. “Aqui tem uma calçada irregular”, aponta Thatiana, na saída do metrô na Rua São Clemente, na esquina com a Rua Nelson Mandela.

Nibia%2C de cachecol vermelho%2C e Thatiana%2C de azul%2C com voluntários na caminhada para mapear craterasEstefan Radovicz / Agência O Dia

Nos 14 km de caminhada até o destino, na Praça Cardeal Arcoverde, em Copa, o grupo, formado por arquitetos, estudantes, professores e pesquisadores, sinalizava as áreas de alerta com grandes curativos para chamar atenção para a “ferida aberta”. “Vi o evento pela internet e resolvi participar”, conta o pesquisador Pedro Martins.

Entre as calçadas esburacadas e rampa íngreme demais na Rua Bambina, Thatiana atenta para outro problema: o dos telefones públicos. A maioria não tem piso podotátil, e os orelhões se tornam ameaça para deficientes visuais. “Isso deveria ser removido”, aponta ela, diante de um aparelho mal sinalizado.

A Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente explica que a responsabilidade da conservação e manutenção de calçadas na cidade é compartilhada. “Em frente a residências e estabelecimentos comerciais, a responsabilidade da conservação é do proprietário. Já nos locais públicos, como calçadas de praias, praças e canais, a responsabilidade é da prefeitura. Passeios de prédios estaduais e federais são de competência destes proprietários. Em caso de árvores que danificam o calçamento, a Comlurb deve ser acionada pela Central 1746 para realizar vistoria e programar a possível destoca dos vegetais”, diz a nota.

Em relação às vistorias das calçadas públicas, o órgão afirma que faz operações nas regiões da cidade e que realiza serviços ativos e preventivos para identificar problemas, inclusive pelo 1746.

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