Para barrar a entrada de droga e arma

Prefeitura anuncia plano para monitorar os acessos ao Rio e deslocamento de veículos roubados

Por O Dia

Rio - A Prefeitura do Rio anunciou um plano para a área de Segurança Pública para combater a entrada de armas, munição e drogas na cidade. Uma das ações, cuja implantação está prevista para os próximos dois meses, inclui a utilização de veículos que funcionam como scanners na intenção de monitorar as principais portas de entrada da cidade, tais como as rodovias Presidente Dutra e Washington Luís. Outra medida, que compõe o plano, é a montagem de um cerco eletrônico, através da instalação de câmeras estratégicas, para monitorar a movimentação de veículos roubados no Rio.

O veículo scanner será apresentado pela empresa espanhola de segurança ‘El Corte Inglés’ na segunda-feira, em reunião com autoridades da área de segurança do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM). O grupo foi criado em março deste ano por decreto assinado pelo prefeito Marcelo Crivella e tem como finalidade enfrentar a criminalidade de forma integrada através da reunião de órgãos da prefeitura com representantes de todas as forças de segurança do país, incluindo a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e as forças estaduais de segurança. O GGIM conta com mais de 80 profissionais e tem reuniões mensais para traçar ações que visam reduzir os índices de criminalidade na cidade.

Com o novo plano%2C o Centro de Controle Operacional da Guarda Municipal%2C que conta com 80 câmeras%2C terá reforço de mais 30 agentesDivulgação

O responsável pelo plano é o secretário de Ordem Pública, Paulo Amêndola, que avalia o projeto dos veículos scanners como pioneiro no Brasil. Segundo ele, Crivella enviou representantes da prefeitura à Madrid, na Espanha, a fim de verificar a sua eficácia. Para Amêndola, não adianta apenas reclamar que as forças federais não fecham as fronteiras.

“A União tem a responsabilidade dela, mas nós também temos a nossa”, afirmou. O secretário explicou que irá disponibilizar as câmeras do Centro de Operações Rio e toda a estrutura municipal aos órgãos de segurança responsáveis pelo cerco. A Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), inaugurada neste mês, terá acesso às imagens das câmeras da cidade. A medida vai auxiliar nas ações de combate ao tráfico de armas.

Guarda terá nova atuação contra crimes

Com objetivo de aliviar o trabalho da PM na cidade, nos próximos dois meses, a Guarda Municipal vai incorporar ações de patrulhamento da polícia. A primeira delas é a atuação em casos de perturbação do sossego alheio, conhecida como a ‘lei do silêncio’.

“Vamos tirar a sobrecarga e liberar a PM para coibir os crimes nas ruas. A ideia é permitir que a GM possa aplicar multas a quem desobedecer a lei”, explicou Amêndola.

Reuniões no GGIM com órgãos de segurança pública são mensaisDivulgação

A área mais problemática da cidade para esse tipo de demanda é a Praça São Salvador, em Laranjeiras. O telefone 190 recebe, em média, 233 chamados por dia na região, o que representa 18% da demanda. A GM vai passar por treinamento e terá aparelhos decibelímetros, usados para medir a altura do som.

Outra ação que será incorporada à Guarda é o combate aos crimes contra o Meio Ambiente e violência doméstica. Segundo dados da prefeitura, no ano passado, foram contabilizados 44.762 casos de violência doméstica, o que representa 8% das ligações para o telefone 190.

Com o novo plano, o Centro de Controle Operacional da Guarda, que conta com 80 câmeras, deve receber 30 novos agentes, além dos 75 que já atuam.

Câmeras do Centro de Operações vão emitir alertas para roubo de carga

Dados do Sistema Firjan apontam que entre 2011 e 2016 houve um aumento de 220% no número de roubo de cargas no Rio, o que causou um impacto de R$ 2,1 bilhões na economia do estado. Na tentativa de frear o índice, a prefeitura quer implantar um sistema de videomonitoramento, que contará com imagens das 900 câmeras do Centro de Operações, para emissão de alertas. Com isso, as forças de segurança poderão realizar cercos para conter ladrões.

Segundo Amêndola, a ideia é compartilhar a frequência dos rádios entre a Guarda Municipal e os órgãos federais e estaduais de segurança. “O projeto piloto na orla carioca deu certo e conseguimos coibir arrastões nas praias. Isso foi possível através de uma integração da GM com a PM no compartilhamento de imagens de câmeras e das rádios patrulha das instituições.

A ideia é expandir o processo e utilizar esse mesmo método na prevenção de entrada de materiais ilícitos pelas rodovias e no cerco para coibir o roubo de cargas na cidade”, completou. Existe ainda a possibilidade de integrar imagens de câmeras de comércios e prédios residenciais no sistema de monitoramento da cidade.

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