Família não consegue vaga para enterrar idoso vítima de bala perdida

Caso aconteceu em Vaz Lobo, na segunda-feira. Aposentado deve ser enterrado nesta quarta-feira

Por O Dia

Rio - Não bastasse a dor da família em perder o aposentado Osmar Pinheiro de Almeida, de 65 anos, vítima de bala perdida em Vaz Lobo, na segunda-feira, parentes não conseguiram vaga para enterrá-lo em nenhum cemitério hoje. Segundo familiares, somente nesta tarde eles conseguiram uma vaga, que ainda não foi confirmada. O sepultamento de Osmar deverá acontecer amanhã, mais de 48 horas após sua morte, de acordo com Anderson Rodrigues de Almeida, 39, filho do aposentado.

"É um absurdo (a falta de vagas nos cemitérios). A família sofre três vezes — pela morte, pela espera e depois no momento de enterrar", lamentou o professor universitário José Paulo Neves, amigo da família. A Secretaria Municipal de Conservação, responsável por distribuir as vagas no Rio foi procurada pelo DIA e infomou que enviaria nota sobre o caso.

Relembre o caso

Osmar Pinheiro de Almeida, carinhosamente conhecido como Mazinho, morreu na manhã de ontem, quando foi atingido por disparos na cabeça. A vítima voltava da casa de uma vizinha, quando foi atingido.

Segundo testemunhas, Osmar teria percebido um carro suspeito com dois homens armados próximo a sua casa, por volta das 8h. Assustado, ele chegou a avisar um vizinho sobre o veículo, mas, neste momento, dois homens em uma moto trocaram tiros com os criminosos do carro. O aposentado morreu na hora.

De acordo com o filho da vítima, Osmar era querido na vizinhança e fazia serviços de pintura nas casas do bairro para complementar a aposentadoria. “Meu pai gostava de tudo que uma criança faz: jogar bola e soltar pipas. Sempre estava disposto a ajudar quem quer que fosse”.

Nas redes sociais, amigos prestaram homenagem ao aposentado. “Um cara de um coração gigante, de sorriso fácil, papo saudável e sempre pronto a ajudar quem precisasse. Foi atingido por mais uma bala perdida na nossa porta. Isso a menos de um minuto depois que eu sai de casa. Poderia ter sido eu ou qualquer um de nós. Que mundo é esse?”, escreveu José Paulo Neves.

A Divisão de Homicídios investiga o caso. Ontem, agentes fizeram perícia no local, mas não divulgaram informações para não prejudicar as investigações.

Rua dá acesso à Serrinha

A Rua Bezerra de Menezes, em Vaz Lobo, onde Osmar morou por mais de trinta anos e foi baleado ontem, é uma das principais vias que levam ao Complexo da Serrinha, comunidade que tem histórico intenso de violência. Imagens do Google Maps de 2014 já registravam cenas que ainda são rotina na região, com homens armados circulando livremente. “A região é bem complicada. No Morro do Juramento, que fica próximo de onde meu pai morava, os tiroteios também são frequentes”, contou Anderson.

Ontem, testemunhas contaram que os dois suspeitos da moto estavam assaltando pedestres na rua Bezerra de Menezes. A Polícia Civil investiga se bandidos de facções rivais, das comunidades Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, e Cajueiro, em Madureira, estariam praticando assaltos no Complexo da Serrinha.

Reportagem do estagiário Rafael Nascimento

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