Curso de sobrevivência para alunos da escola de Lorraine

Na escola em que a jovem estudava, salá é constantemente atingida por tiros e está cheia de marcas de bala

Por O Dia

Rio - Tiroteios como o que feriu mortalmente Lorraine Xavier de Araújo, de 18 anos, são rotina na Vila Aliança. Tanto que na Escola Estadual Marieta da Cunha, onde a jovem estudava, há uma sala que se chama ‘Jesus te chama’ porque é constantemente atingida por tiros e está cheia de marcas de bala.

A denúncia é do professor de Física da unidade, Alessandro Gomes. Ano passado, os professores e alunos promoveram até um curso de sobrevivência para aprender a se proteger da balas perdidas.

Enterro da Jovem Lorraine Xavier%2C morta por bala perdida na comunidade da Nova Aliança em BanguMaíra Coelho/Agência O Dia

No momento em que ela foi atingida, havia operação da Polícia Militar na região e houve tiroteio com traficantes. “É comum ter operação lá. Quando tem operação tiramos os alunos da sala ‘Jesus te chama’ que fica de frente pra rua e é muito comum ser alvo de tiros. Ela está cheia de marcas de bala”, contou Alessandro. “Demos um curso de sobrevivência ano passado na escola para aprendermos a tirar os alunos da linha de tiro”, disse Edno Soares, 53, professor de Matemática.

Vestindo camisetas com a imagem de Lorraine, pelo menos 100 pessoas, entre parentes, amigos, professores e colegas de escola, compareceram ao enterro dela ontem, no Cemitério do Murundu, em Realengo.

O pai de Lorraine, o motorista do BRT, Antenor Marcondes, de 43, está inconsolável. “Mesmo separado da mãe dela há seis anos, meu contato com Lorraine era diário. Tiraram um pedaço de mim. A força que vou ter agora é porque ela me deixou uma neta. Tenho outra filha de 15 anos e ela que vai me ajudar a superar isso. É uma ferida que não vai se curar jamais. Vou tentar me adaptar a essa relaidade”, desabafou ele, que teve apoio de vários colegas de profissão durante o enterro.

Antenor contou ainda que o sonho da filha era fazer Engenharia Mecânica e que ela se preparava para o Enem. O professor Alessandro também confirmou que Lorraine tinha planos para o futuro. “Era excelente aluna. Perguntava tudo sobre vestibular e universidade. Queria fazer algo além da escola. Estava juntando dinheiro para a inscrição do vestibular”, lembrou.

“Conheço a Lorraine há cinco anos. Era muito esperta e alegre. Nunca falou da violência. Ela que alegrava nossa turma”, contou o amigo Paulo Ricardo Vieira Dutra.

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