Mictórios novos estão largados na Cidade Nova

Setenta e quatro UFAs aguardam por instalação há dois anos. Pagos por concessionárias que exploram o serviço, cada um custou R$ 19 mil

Por O Dia

Rio - Jogadas sob árvores do Parque Noronha Santos, na Cidade Nova, os mictórios públicos batizados de Unidades Fornecedoras de Alívio (UFAs) e nunca utilizados nem parecem novos. Entre folhas secas, alguns ainda têm pedaços do plástico da embalagem; outros já começaram a oxidar na base. A única novidade da situação, porém, é o local: há dois anos, 25 UFAs esperando instalação foram flagrados pelo DIA, em março de 2015, debaixo do Viaduto 31 de Março.

Na época, a Prefeitura prometeu ao menos 74 UFAs (25 do viaduto e outras 49 armazenadas em depósitos) postas em uso até 2016. Não foi o que aconteceu. No início do ano passado, elas continuavam expostas à depreciação do tempo no mesmo lugar. A responsabilidade da instalação é da Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente.

UFAs novas estão largadas debaixo de árvores no Parque Noronha Santos%2C sem nenhuma proteçãoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Cada unidade custa R$ 19 mil, pagos pelas concessionárias que exploram os banheiros metálicos. Segundo a Seconserma, as UFAs continuam guardadas porque “a instalação foi suspensa pela administração anterior”. A pasta afirma estudar novos pontos para mictórios, mas não informou um prazo.

O objetivo é que o número de unidades chegue a 100. Atualmente, são 26, em uma cidade de 6,4 milhões de pessoas. A multa para quem faz xixi na rua, vale lembrar, é de R$ 510. Além dos mictórios, as outras opções para alívio público são os banheiros de metal, com porta. São 53 deles — 27 deles pagos, nas Zonas Sul, Norte e Centro, e 26 gratuitos, na Zona Oeste.

E o que não falta é demanda. Na última sexta-feira, os fãs da banda Amon Amarth que faziam o ‘esquenta’ para o show no Circo Voador tinham que recorrer às duas UFAs instaladas atrás da casa de shows. A rotatividade era alta; o mau cheiro não ficava atrás. A urina escorria pelo chão. De Juiz de Fora, em Minas Gerais, o professor Elerson Coelho, de 40 anos, saiu de sua primeira experiência com o mictório público desnorteado pelo odor. “Esse cheiro não é nada agradável!”, brincou.

Apesar de ser um usuário mais experiente das UFAs, o funcionário de TI Arthur Vilela, 28, tampouco se acostumou à sujeira. “As pessoas usam o banheiro como se fosse um lixo, sempre vejo garrafas ali dentro. Duas UFAs é muito pouco, a demanda aqui é muito grande”, opinou. Segundo a Comlurb, a limpeza é feita diariamente. O órgão acrescentou que os problemas de entupimento e vazamento são provocados pelo mau uso do equipamento.

Reportagem da estagiária Alessandra Monnerat, sob supervisão de Claudio de Souza

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