Bandidos usaram falsa autorização de estacionamento em assalto na Prefeitura

Bando levou apenas um malote, com R$ 500 em moedas. Polícia analisará imagens para identificar autores

Por O Dia

Rio - Os bandidos que tentaram assaltar um carro-forte dentro da Prefeitura do Rio de Janeiro, na Cidade Nova, na manhã desta quarta-feira, utilizaram um carro roubado, com a placa clonada, e uma autorização de estacionamento eventual, que segundo a própria prefeitura, é falsa.

De acordo com o comandante Mauro Fliess, do 4º BPM (São Cristóvão), a ação pode ter sido orquestrada com antecedência, mas não teve êxito, já que os assaltantes conseguiram levar apenas um malote com R$ 500 em moedas. "Isso parece ser algo organizado. Deixaram muitas pontas e um abuso desse não ficará impune. Tentaram fazer uma ação ousada, mas não compensou. Tomaram prejuízo", afirmou.

Bandidos tentam assaltar carro-forte dentro da Prefeitura do RioFotos%3A Severino Silva/ Agência O DIA

O veículo utilizado, um Ford Ka branco, foi roubado em 27 de abril, na região do Campinho, Zona Norte do Rio, mas teve a placa clonada. O carro foi encontrado pouco depois da ação, na rua Madre Tereza de Calcutá, a poucos metros da entrada principal da sede da Prefeitura. Para o comandante, o bando abandonou o carro e fugiu a pé porque teria se confudido na tentativa de fugir para a Avenida Brasil.

Dentro da mala, a polícia localizou doze carregadores de fuzil, com capacidade de até 300 disparos, dos modelos AK-47 e .762, armas que foram utilizadas pelos criminosos. A perícia papiloscópica começou às 10h40 e durou cerca de 50 minutos. Foram encontradas muitas marcas de tiros no carro.

A autorização de estacionamento eventual%2C que segundo a prefeitura%2C é falsaSeverino Silva / Agência O Dia

Outra perícia, realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) deverá analisar a veracidade do documento de estacionamento. A investigação ficará com a Delegacia de Roubos e Furtos, que solicitará as imagens das câmeras de segurança do prédio para entender a dinâmica dos fatos e identificar os criminosos. 

Pelo menos doze carregadores de fuzil foram encontrados na mala do carroFotos%3A Severino Silva/ Agência O DIA

O carro-forte saiu da sede da empresa de valores, em São Cristóvão, por volta das 7h55. Minutos depois, os bandidos, que já estavam dentro do estacionamento da Prefeitura, tentaram a ação. Dois vigilantes que faziam a segurança do carro-forte foram baleados no ataque e levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Os quadro de saúde de ambos é estável. Um está em cirurgia ortopédica por conta de uma fratura no braço e o outro, que atingido por um tiro na perna esquerda, está internado na enfermaria do serviço de ortopedia do hospital. 

"A coisa foi muito rápida, muito tiro. Só deu tempo de gritar. 'Vamos se jogar no chão, é tiro!' É uma situação de insegurança total. No momento em que estavamos aqui poderíamos ser atingididos", disse Carlos Nascimento, 59 anos, que presta serviço para a prefeitura.

O Ford Ka usado na tentativa de assalto foi roubado há mais de um mês e teve a placa clonadaRafael Nascimento/Agência O Dia

Prefeitura pedirá reforço policial na região

Em nota, a Prefeitura reafirmou que o veículo utilizado na ação não faz parte da frota oficial e que a permissão é falsificada. A Secretaria Municipal de Ordem Pública pretende incrementar o sistema de câmeras já existente no prédio, além de solicitar a Polícia Militar um reforço no policiamento na região. 

"Estamos buscando dados com funcionários que tenham visto a ação. As câmeras do Centro de Operações da Prefeitura (COR) também serão solicitadas", disse José Ricardo Soares, diretor de operações da Guarda Municipal.

Em fevereiro, prédio teve caixas eletrônicos arrombados 

A ação foi ousada, mas não foi a primeira do tipo na sede da Prefeitura do Rio. No dia 19 de fevereiro, um domingo, sete bandidos arrombaram três caixas eletrônicos no primeiro andar do Centro Administrativo São Sebastião. Os suspeitos renderam os seguranças do local e usaram um maçarico para abrir os caixas. Depois, eles recolheram o dinheiro, liberaram os funcionários e fugiram.

Reportagem do estagiário Rafael Nascimento, com supervisão de Adriano Araujo

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