Prefeitura libera táxis em trechos do BRT Transcarioca

Consórcio operador do BRT, no entanto, alerta para riscos de acidentes e lembra de colisão que já ocorreu no local

Por O Dia

Rio - A circulação de táxis em trechos do corredor Transcarioca, onde eram autorizados apenas os ônibus articulados, será liberada pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) a partir desta segunda-feira. A autorização foi concedida em resolução publicada ontem no Diário Oficial e é válida para dias úteis e sábados, das 7h às 20h. A medida foi classificada como “equivocada e irresponsável” pelo consórcio operador do BRT, que teme acidentes.

De acordo com o texto publicado, a decisão considera as obras da Avenida Brasil, a competência de definir padrões técnicos para o trânsito e a política de preferência ao transporte público. A resolução se estende a táxis acessíveis, para pessoas com mobilidade reduzida.

Trechos do Transcarioca%2C na região da Ilha do Governador%2C serão compartilhados por táxis e BRTsFabio Gonçalves / Agência O Dia

A circulação dos táxis será permitida nas seguintes vias do Transcarioca: Viaduto de Acesso ao Transcarioca, rotatória da Avenida dos Campeões, Arco Estaiado Prefeito Pedro Ernesto, Avenida Brigadeiro Trompowsky, Ponte Estaiada do Galeão e Avenida Vinte de Janeiro (faixa à esquerda destinada ao transporte coletivo).

Serão proibidos o embarque e o desembarque de passageiros ao longo das vias. A desobediência a essa regra sujeitará os infratores às penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro e nas normas da SMTR.

Em nota, o Consórcio BRT afirmou que a autorização colocará em risco os motoristas e os passageiros dos ônibus e dos carros. A empresa informou que vai encaminhar ofício para a SMTR alertando sobre possíveis consequências da decisão.

Lembrou ainda que, em agosto de 2015, houve grave acidente envolvendo um articulado do BRT e um táxi na Avenida Brigadeiro Trompowsky, na Ilha do Governador, uma das vias que constam da resolução. Com a colisão, um dos veículos ficou queimado. Os motoristas conseguiram escapar antes de o fogo começar. O táxi e o ônibus estavam sem passageiros na ocasião.

“Trafegar num corredor com veículos de grande porte exige um treinamento prévio. É inacreditável o que estão fazendo. Quem garante que não terá taxista parando na pista do Transcarioca para pegar passageiro? A responsabilidade de um caos será da Prefeitura”, lamentou a diretora de Relações Institucionais do BRT, Suzy Balloussier.

Segundo ela, recentemente bombeiros foram ao Centro de Controle Operacional buscar capacitação para circular na calha do BRT.

SMTR: uso misto foi feito na Rio 2016

A SMTR esclareceu que o trajeto já foi utilizado durante a Olimpíada e a Paralimpíada por veículos credenciados. “Naquela ocasião, o uso da calha do BRT foi mais intenso do que nas condições atuais, inclusive nos dias de pico”, argumentou.

Segundo o órgão, o aeroporto Tom Jobim operou com recorde de passageiros, sem nenhum prejuízo à operação do Transcarioca. Ressaltou ainda que não houve treinamento para os condutores dos veículos da Rio 2016 e que a segurança foi garantida pela sinalização da CET-Rio.

“Todo o trecho a ser utilizado é segregado, não havendo possibilidade de embarque e desembarque de passageiros. Parte do trajeto já está em uso compartilhado entre a Av. Brasil e a Av. dos Campeões, sem nenhum registro de incidentes, e possui capacidade muito superior à demanda que será gerada”, concluiu a secretaria.

O especialista em Engenharia de Transportes Alexandre Rojas, professor da Uerj, concorda com a prefeitura e não acredita que a autorização para os táxis estimulará acidentes.

“O tráfego é tão complexo no Rio que os motoristas vão tomar cuidado. O problema ocorre quando um imprudente invade a faixa. Mas tendo as regras definidas, as pessoas vão se prevenir”, avalia. Na visão de Rojas, a tendência é que o trânsito melhore, assim como a experiência de usuários de táxis. “É uma experiência para ver se dá certo”, diz.

Últimas de Rio De Janeiro