Ex-PMs são condenados a 56 anos de prisão por estupros no Jacarezinho

Renato Ferreira Leite, Gabriel Machado Mantuano e Anderson Farias cometeram atos em agosto de 2014 contra duas mulheres e uma menor

Por O Dia

Rio - Três ex-policiais militares foram condenados a 56 anos de prisão cada um pelo estupro de duas mulheres e uma menor na Favela do Jacarezinho, ocorrido em agosto de 2014. A juíza Ana Paula Monte Pena Figueiredo Barros, da Auditoria de Justiça Militar, disse não haver dúvidas que Renato Ferreira Leite, Gabriel Machado Mantuano e Anderson Farias cometeram os crimes.

"Não há menor dúvida que as vítimas foram coagidas a praticar atos sexuais por meio de grave ameaça exercida pelos policiais, que ostentavam armas de fogo na empreitada delituosa, inclusive durante a prática do ato, impondo medo e temor às vítimas e retirando qualquer possibilidade de se defenderem", disse a magistrada na sentença, do dia 5 de maio.

Ex-policiais militares acusados de estupros no Jacarezinho são condenados a 56 anos de prisão cada umFernando Souza / Agência O Dia

Os ex-policiais eram lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacarezinho e estupraram as três moradoras da comunidade — duas de 35 e 18 anos e uma menor de 16 anos. As defesas dos condenados entraram com recursos apelando da sentença, no último dia 26.

Vítimas relatam momentos de horror

O drama relatado pelas três moradoras do Jacarezinho teve início na madrugada de 5 de agosto, na casa de uma amiga que mora próximo ao viaduto da comunidade. Após tentarem resgatar sem sucesso a irmã da mais velha, que permanecia há pelo menos três dias na cracolândia da favela, elas decidiram então fazer uma visita à colega.

Quando assistiam à TV, o grupo de quatro policiais obrigou as quatro, incluindo a dona da casa, e um outro homem, a entrar em um barraco, onde todos teriam sido agredidos. Em seguida, apenas as três foram conduzidas a um beco escuro, onde foram obrigadas a retirar as roupas sob ameaças de morte. Já nuas, elas teriam entrado em um outro barraco vazio.

Com os celulares ligados, três acusados mandaram as vítimas introduzirem um isqueiro e uma caneta pilot nas partes íntimas. Duas meninas também teriam feito sexo oral em um mesmo policial. Por fim, após os atos, uma das vítimas também foi obrigada a fazer sexo oral sem camisinha. Substâncias similares a esperma foram recolhidas no local.

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