Manifestação em hospital de Ipanema

Chefe do setor de cirurgia vascular da unidade federal de Ipanema diz que reestruturação proposta, na verdade, é fechamento de serviços importantes

Por O Dia

Rio - Iatrogenia é quando o próprio tratamento causa dano ao paciente, podendo, inclusive, levá-lo à morte. Na avaliação de médicos, a rede de hospitais federais do estado está vivendo esse processo.

Sob o argumento de reestruturação das seis unidades federais do Rio para ampliar o atendimento à população, o Ministério da Saúde (MS) vem suspendendo serviços nos hospitais, o que tem gerado protestos. Ontem, funcionários do Hospital de Ipanema realizaram manifestação contra o fechamento do serviço de cirurgia vascular da unidade.

“A reestruturação, na verdade, é o fechamento do serviço”, reclamou o chefe da cirurgia vascular, Felipe Murad. O médico disse que além de não renovar os contratos de médicos na unidade, o MS suspendeu o acesso do hospital ao Sistema Nacional de Regulação (Sisreg). “Ou seja, o paciente que está na fila, não terá mais o Hospital de Ipanema como opção”, denuncia Murad, afirmando que “a intenção é asfixiar o serviço até parecer ocioso e justificar o encerramento”.

O MS, por sua vez, esclareceu que o serviço de cirurgia vascular da unidade de Ipanema está aberto e funcionando normalmente. Mas, “considera inadmissível, por exemplo, que o serviço de cirurgia vascular do hospital possua seis médicos e cada um realize, em média, uma cirurgia por semana e 25 consultas por mês”.

Murad rebate. “Não existe cirurgia vascular de média ou alta complexidade realizada apenas por um único cirurgião. Muitas são de altíssima complexidade e duram o dia inteiro, muitas vezes necessitando da participação de três ou mesmo quatro cirurgiões”.

Para ele, a tentativa do MS de desqualificar o atendimento prestado no Hospital de Ipanema “é baixa, leviana e demonstra um completo desconhecimento dos gestores sobre a rede”. Murad diz que isto só confirma a forte intenção de desmantelar a rede federal a qualquer custo.

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