Nota da Coordenação Interna do projeto Pré Universitário Social UFF Rede Social

Coordenação do projeto diz em nota que não possui competência legal para julgar tal delito e orientou a denunciante buscar as autoridades

Por O Dia

Rio - Por meio de nota, a coordenação interna do Projeto Pré Universitário Social UFF Rede Comunidade disse que o professor suspeito de assédio foi afastado preventimente após a aluna fazer uma reclamação formal contra ele, no dia 17 de abril, por comportamentos indevidos. Segundo a nota, foi aberta uma comissão interna de sindicância para apurar os fatos e a aluna, assim como seu responsável legal, foram chamados para receber a devida assistência.

Leia a íntegra da nota da Coordenação interna do Projeto Pré Universitário Social UFF Rede Comunidade:

"A Coordenação interna do Projeto Pré Universitário Social UFF Rede Comunidade vem a público repudiar a matéria publicada no jornal O Dia on line, que possui forte caráter depreciativo e difamatório das atividades inclusivas desenvolvidas pelo projeto, e prestar os devidos esclarecimentos à sociedade sobre o ocorrido.

O Pré Universitário Social UFF Rede Comunidade no dia 17 de abril recebeu uma reclamação formal por parte de uma aluna sobre comportamentos indevidos de um professor do projeto. Ao tomar conhecimento, o projeto afastou preventivamente o professor.

Diante da gravidade do assunto, determinamos a apuração e a adoção de todas as providências cabíveis, pois repudiamos incondicionalmente toda e qualquer prática de assédio, violência e desrespeito ao indivíduo.

Ao contrário do que induz a referida matéria, assim que a Coordenação tomou conhecimento do ocorrido, imprimiu as seguintes providências:

a) instaurou Comissão Interna de Sindicância para apuração dos fatos;
b) afastou das atividades o professor acusado;
c) convocou a aluna e seu responsável legal para prestar a devida assistência.

O assédio sexual é mais uma das manifestações da desigualdade de gênero em nossa sociedade. Trata-se, em verdade, de uma manifestação de poder do homem sobre a mulher, através da objetificação sexual de seus corpos. Muitas vezes, nossa sociedade interpreta o assédio como paquera, elogio ou brincadeira de mal gosto, naturalizando na verdade um comportamento machista que é muito danoso para todas as mulheres

Conforme o Código Penal, assédio sexual é classificado como “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerente ao exercício”.

Tal conduta deve ser devidamente denunciada, apurada, investigada e julgada pelas autoridades legais responsáveis. Mediante a esta exposição a coordenação do projeto não possui competência legal para julgar tal delito e desta forma orientou a denunciante buscar as autoridades competentes.

Prestamos todo nosso apoio e colocamo-nos á disposição dos estudantes e professores que queiram, por meio da justiça competente, defender seus direitos, amparar suas acusações, denuncias ou defesas.

Sendo assim, no que nos cabe, decidimos reafirmar práticas pedagógicas que estimulem a reflexão e a crítica ao machismo e busquem interromper a reprodução dessas práticas com o objetivo de contribuir no combate e prevenção à todo tipo de opressão de gênero dentro do nosso projeto.

Decidimos por incluir o professor envolvido em atividades de debates e seminários que conscientizem sobre a reprodução do machismo e sexismo. Precisamos unir esforços para construir uma cultura livre do machismo, sexismo e qualquer outra forma de opressão e preconceito. O caminho para isto, embora longo, é pedagógico e dialético. Não se desfaz ou soluciona o machismo com o encarceramento ou criminalização.

Também se faz necessário esclarecer, que ao contrário do que se afirma na reportagem, nenhum colaborador do projeto foi afastado por seu posicionamento ou opinião sobre este fato.

Sem mais"

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