Prefeitura e Estado cobram medidas para conter a maior onda de violência no Rio

A escalada do crime cresce a cada dia. Só nos cinco primeiros meses deste ano, conforme o Instituto de Segurança Pública (ISP), 2.329 pessoas foram vítimas de homicídio dololoso

Por O Dia

Rio - O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e o governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), vão passar a rezar na mesma cartilha de que a união faz a força. Em encontro ontem no Palácio Guanabara, ambos firmaram compromisso para enfrentar uma das maiores ondas de violência que o estado já presenciou. Na prática, passarão a cobrar mais ações e cumprimento de promessas do presidente Michel Temer.

“Nós somos hoje o epicentro de uma violência anômica no Brasil. Eu e o governador já estivemos em Brasília e nos foram prometidas medidas importantíssimas para a segurança. Estamos unidos, fazendo um apelo veemente para que aquilo que nos foi prometido seja cumprido”, disse Crivella, ressaltando a necessidade de reforços para a Polícia Rodoviária Federal, Forças Armadas e Polícia Federal.

Prefeito do Rio e governador em exercício se reuniram para discutir crise na segurança pública Divulgação

Dornelles endossou o discurso do prefeito: “Faremos um grande esforço para que o governo federal faça conosco um trabalho grande na segurança”, declarou Dornelles, cobrando maior fiscalização da União nas fronteiras, portos e aeroportos do país. “As armas não nascem aqui (no Rio), não chegam de paraquedas”, criticou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua vez, usando seu Facebook, fez críticas ao governo federal, cobrando o Plano Nacional de Segurança. Maia, primeiro na linha sucessória do Palácio do Planalto, afirmou que as autoridades perderam o controle da segurança no Rio de Janeiro.

“Nós perdemos completamente o controle da segurança pública no Rio, ninguém consegue mais se locomover com tranquilidade. Estamos cobrando diariamente do ministro Henrique Meirelles a assinatura do acordo de recuperação fiscal para que a gente comece a reorganizar o estado. Espero que antes de tratarmos de uma intervenção federal, o governo federal, o ministro da Defesa (Raul Jungmann) e o ministro da Justiça (Torquato Jardim), entendam que não há mais tempo para este tema”, destacou Maia, que completou: “A gente precisa que o Plano Nacional de Segurança, que foi anunciado há algumas semanas, seja efetivamente implementado no Rio de Janeiro”.

Durante o encontro de ontem, Crivella fez menção à possível criação do ‘Pavuna Presente’, com recursos do governo estadual e prefeitura, para a remuneração, respectivamente, de policiais e guardas municipais que queiram trabalhar em suas horas de folga.

O prefeito também pretende firmar novas parcerias com a iniciativa privada para ajudar a manter o programa Segurança Presente, que contribui para a redução da criminalidade em regiões como o Centro, o Aterro e a Lapa.

Homicídio tem aumento de 10,9%

A escalada da violência no Rio cresce a cada dia. Só nos cinco primeiros meses deste ano, conforme o Instituto de Segurança Pública (ISP), 2.329 pessoas foram vítimas de homicídio dololoso (intencional) no estado, 10,9% a mais que o mesmo período em 2016. Além disso, 89 policiais militares foram mortos neste ano. Outros 291 agentes foram feridos.

Já nas principais rodovias do estado, ocorreram mais de 600 assaltos a caminhoneiros no primeiro semestre de 2017. Trinta por cento a mais que o ano passado. Só ontem, na Avenida Brasil, quatro caminhões de cargas foram roubados.

O governo federal enviou 620 homens da Força Nacional de Segurança e mais 380 policiais rodoviários federais ao estado, com a missão principal de combater o roubo de cargas e a entrada de armas e munições pelas rodovias.

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