Taxistas ofereceram corridas por 'tiro' durante protesto

Engarrafamento chegou a 63 km e só quatro foram multados. Prefeito diz esperar decisão da Justiça

Por O Dia

Rio - Na Rodoviária Novo Rio, enquanto o protesto dos taxistas fechava o trânsito na Presidente Vargas, cerca de dez homens assediavam passageiros oferecendo táxis com preços fixos, acima da tabela, alheios à presença de dois guardas municipais. As corridas chegavam a ser oferecidas por mais que o dobro do valor correto.

Por volta das 11h, a veterinária Maria Raquel Scaff, de 39 anos, chegou de Petrópolis, onde fazia um curso, e queria pegar táxi para o Aeroporto Santos Dumont, de onde embarcaria para casa, em Londrina (PR). “Cheguei e não vi táxi, mas aí veio o homem e ofereceu o táxi que eu deveria pegar fora do terminal, perto do estacionamento. Já fiquei com medo”, contou.

Taxistas fizeram protesto contra aplicativos de transporte particular. Manifestação terminou em confronto em frente à sede da prefeitura%2C na Cidade NovaFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

Mas o susto maior veio na hora que o homem falou o preço: R$ 50, como foi presenciado pela equipe de reportagem. Normalmente, essa corrida, de seis quilômetros, custa menos de R$ 23. Maria Raquel, então, decidiu ir de VLT, onde teve de aguardar na fila para comprar o bilhete, já que uma das máquinas estava quebrada.
Procurada pelo DIA, a Seop informou que mandou equipes, junto com a Secretaria Municipal de Transportes, para coibir a “ação de piratas”.

Já o VLT Carioca informou que uma das máquinas quebrou pela manhã e que equipe foi enviada ao local para fazer o reparo. O aplicativo Uber não quis comentar as manifestações, mas fez promoção de 30% de desconto ontem, limitada a R$ 15. A Cabify informou que apoia uma “regulamentação que permita competição saudável no setor”. A 99 também informou que apoia uma regulamentação que traga soluções para a mobilidade.

Taxistas param de novo a cidade

Mais uma vez o trânsito do Rio parou por causa de uma manifestação de taxistas contra os aplicativos de transporte particular, como Uber, Cabify e 99. Além de algumas brigas e agressões a motoristas que tentavam passar pelos bloqueios dos manifestantes, houve, desta vez, confronto com a Polícia Militar em frente à Prefeitura do Rio, na Avenida Presidente Vargas, onde terminou o protesto, no fim da manhã.

O prefeito Marcelo Crivella afirmou que pretende regulamentar os aplicativos, mas ressaltou que a decisão de como isso será cabe à Justiça. Enquanto a confusão tomava conta do Centro, na Rodoviária, alguns taxistas faziam a festa, cobrando valores abusivos por corridas.

Marcelo Crivella em coletiva sobre conflito entre taxistas e motoristas de aplicativos de transporte particularMárcio Mercante / Agência O Dia

Segundo o Centro de Operações Rio (COR), os engarrafamentos alcançaram 63 quilômetros às 10h30, quando os manifestantes, que se concentraram desde a madrugada em diversos pontos da cidade, foram para a frente da prefeitura.
A ameaça da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), feita na quarta-feira, de multar quem fechasse vias deu pouco resultado.

Apenas quatro taxistas foram autuados. As infrações, gravíssimas, custam R$ 5.869,40 e sete pontos na Carteira de Habilitação. Dois motociclistas foram flagrados pela Guarda Municipal, às 3h30, espalhando pregos nos acessos ao Aeroporto do Galeão, incluindo no corredor do BRT Transcarioca, além de panfletos ofensivos aos aplicativos.

Taxistas fizeram protesto contra aplicativos de transporte particular. Manifestação terminou em confronto em frente à sede da prefeitura%2C na Cidade NovaFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

O material foi encaminhado para a Delegacia do Galeão. No acesso ao Aeroporto Santos Dumont, manifestantes chegaram a atear fogo em pneus ainda de madrugada, mas a via foi liberada pelos guardas.

Por volta das 10h, Crivella recebeu comissão dos manifestantes. À tarde, à imprensa, o prefeito disse que o ponto crucial para regulamentar os aplicativos é a limitação do número de carros, que depende de decisão da Justiça.

“Conversei na última sexta-feira com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (Milton Fernandes de Souza) e pedi que a liminar (que autoriza o Uber) fosse julgada o quanto antes. Esperamos ter uma definição na semana que vem”, disse ele, acrescentando que o Uber paga cerca de R$ 1 milhão por mês em impostos à Prefeitura do Rio, com os 5% de ISS sobre os pagamentos.

Cobertura dos repórteres Gabriela Mattos, Jonathan Ferreira e do estagiário Rafael Nascimento

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