Tropa de olho na telinha do celular

Em estudo pelo governo, proibição para PMs levarem aparelhos no patrulhamento divide opiniões

Por O Dia

Rio - Cabeça baixa, olho na telinha. Essa postura de policiais militares utilizando smartphones em serviço pode estar com os dias contados. Como adiantou a coluna ‘Esplanada’, do DIA, o governador Luiz Fernando Pezão recebeu pelo WhatsApp imagens de agentes distraídos com seus celulares e, agora, o governo estuda proibir os PMs de saírem às ruas portando os aparelhos. A medida é polêmica e divide a opinião de especialistas em Segurança Pública.

Ontem %2C a equipe do DIA flagrou policial militar usando o smartphone durante o patrulhamento no CentroAgência O Dia

Pezão enviou as fotos para o comandante-geral da PM, Coronel Wolney Dias Ferreira, e para o secretário de Segurança, Roberto Sá, que têm a missão de estudar como tratar o assunto.

O uso dos smartphones e tablets durante o policiamento ostensivo, se atrapalhar a função, já é proibido desde 2015, mas, na prática, a norma, criada pelo comandante-geral da PM à época, coronel Alberto Pinheiro Neto, não pegou.

Nas ruas, é fácil encontrar os policiais de olho no celular. Em uma pequena ronda, O DIA flagrou ontem PMs utilizando aparelhos em serviço, em frente ao Aeroporto Santos Dumont.

Segundo a Polícia Militar, as fotos de agentes que circulam no WhatsApp são antigas. “Foram registradas há mais de dois anos; as medidas disciplinares cabíveis foram devidamente tomadas à época”, informou a corporação em nota.

Os policiais, no entanto, argumentam que o uso do celular é feito mediante autorização do próprio batalhão. Hoje, o WhatsApp é apenas mais uma ferramenta de trabalho, afirmam os agentes de segurança. “A comunicação é mais rápida, podemos mandar fotos de ocorrências”, disse um PM no Largo do Machado.

De acordo com a PM%2C essas fotos que circulam nas redes são antigasWhatsApp O DIA (98762-8248)

O coronel da PM aposentado Paulo César Lopes, no entanto, vê uma oposição entre o uso das redes sociais e o trabalho policial, que requer atenção e vigilância. Para ele, a prática configura transgressão disciplinar e deveria ter punição severa. 

Não controlar o tempo que os agentes passam no ‘zap’ causa o que o especialista em segurança chama de ‘síndrome de zumbi’. “O que mais se vê hoje é policial dentro da viatura, ar condicionado ligado, voltado exclusivamente para as redes sociais”, alertou.

“O resultado está aí: o Rio sendo objeto de Garantia da Lei e da Ordem (decreto que autoriza o poder de polícia às Forças Armadas) por falta de eficiência das forças policiais estaduais”.

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